Nos EUA, fatores como inflação, encarecimento da mão de obra, exigências ambientais mais rígidas e o avanço de tecnologias embarcadas elevaram significativamente o preço dos veículos novos. Modelos compactos, que antes custavam menos de US$ 15 mil, hoje ultrapassam com facilidade a faixa dos US$ 25 mil. Montadoras passaram a priorizar SUVs e picapes, que oferecem maior margem de lucro.
Brasil vive essa realidade há mais tempo
No Brasil, o fim do carro popular começou a se desenhar ainda na década passada, mas se consolidou nos últimos anos. Modelos que já foram referência de baixo custo, como Gol, Uno e Celta, saíram de linha. Atualmente, mesmo os carros de entrada ultrapassam com folga os R$ 70 mil, valor distante da renda média do trabalhador brasileiro.
A combinação de alta carga tributária, custos de produção elevados, exigências de segurança e emissões mais rígidas, além da desvalorização cambial, ajudou a empurrar os preços para cima. O resultado é um mercado cada vez mais restrito e dependente de financiamentos longos.
Diferença de impacto entre os países
Apesar da semelhança no fenômeno, o impacto social é diferente. Nos Estados Unidos, a renda média mais elevada e o mercado de usados ainda forte amenizam os efeitos do fim do carro barato. Já no Brasil, a ausência de veículos realmente populares afeta diretamente a mobilidade e o acesso ao transporte individual, especialmente fora dos grandes centros urbanos.
Programas governamentais para estimular carros mais acessíveis já foram tentados no Brasil, mas tiveram efeito limitado e temporário. Enquanto isso, nos EUA, o debate começa a ganhar força agora, com consumidores pressionando montadoras por opções mais baratas.
Mudança estrutural no mercado
O desaparecimento do carro popular indica uma mudança estrutural na indústria automotiva global. A eletrificação, a digitalização e as novas regras ambientais tornam cada vez mais difícil produzir veículos simples e baratos.
Se nos Estados Unidos o fim do carro popular ainda soa como alerta, no Brasil ele já é uma realidade consolidada — e sem perspectiva clara de reversão no curto prazo.
