A Ford confirmou a ampliação da linha Ranger no Brasil com a chegada da inédita versão Ranger Tremor, prevista para desembarcar no mercado nacional em 2027. A novidade promete resgatar uma configuração mecânica praticamente abandonada no segmento das picapes médias: motor flex com verdadeira vocação off-road.
Além da Tremor, a marca também prepara outras expansões para a Ranger, como versões com cabine simples e motorização híbrida plug-in, reforçando a estratégia de diversificação do modelo, hoje um dos mais importantes da Ford no país.
Off-road raiz, mas sem diesel
Diferente do padrão do segmento, dominado quase exclusivamente por motores a diesel, a Ranger Tremor brasileira apostará em um conjunto do ciclo Otto, algo raro entre picapes médias. Com exceção da BYD Shark PHEV, não há atualmente outro modelo desse porte com proposta semelhante.
A Tremor contará com tração 4x4, seletor de modos de terreno, suspensões especiais e pneus próprios para fora de estrada, mantendo a proposta de uso severo já vista nas versões Tremor da Maverick e da F-150.
Visual robusto e preparação para trilha
Já vendida em mercados como o australiano, a Ranger Tremor se diferencia pelo visual mais agressivo. O pacote inclui detalhes externos em cinza e preto brilhante, faróis e lanternas escurecidos, santantônio exclusivo com acabamento fosco, rodas pretas calçadas com pneus off-road 285/70, além de preparação para instalação de guincho na dianteira.
O interior segue a mesma linha, com acabamento escurecido, materiais mais resistentes e detalhes específicos no para-choque frontal, pensados para quem realmente encara trilhas e terrenos difíceis.
Na Austrália, a picape ainda traz molas e amortecedores Bilstein, altura do solo elevada em cerca de 2,5 cm, chegando a aproximadamente 26 cm, além de assistentes eletrônicos dedicados ao uso fora de estrada. O sistema de tração é o mesmo das Ranger V6 turbodiesel vendidas no Brasil, com bloqueio de diferenciais e marcha reduzida.
Base XLT e pacote completo de equipamentos
A Ranger Tremor é baseada na versão XLT, uma das mais completas da linha. Por isso, a expectativa é que chegue ao Brasil bem equipada, com central multimídia vertical, ar-condicionado digital automático, bancos em couro personalizados, iluminação full LED, alavanca de câmbio por joystick e um pacote completo de assistentes de condução (ADAS).
Como será vendida apenas em cabine dupla, manterá a caçamba de 1.250 litros, mesma capacidade das demais versões da Ranger.
Motor 2.3 EcoBoost flex
A grande novidade técnica da Ranger Tremor nacional estará sob o capô. No lugar do motor 2.0 turbodiesel usado em outros mercados, o modelo brasileiro adotará o 2.3 EcoBoost de quatro cilindros, desenvolvido com tecnologia flex pela engenharia da Ford no Brasil.
O motor é uma evolução do 2.0 turbo presente no Bronco Sport e na Maverick, mantendo injeção direta e duplo comando variável. Nos Estados Unidos, essa motorização entrega cerca de 270 cv de potência e 43 mkgf de torque, sempre associada ao câmbio automático de dez marchas. No Brasil, os números devem variar, especialmente com o uso do etanol, mas a transmissão de dez velocidades será mantida.
Produção na Argentina e chegada em 2027
A produção da Ranger Tremor será realizada na fábrica de Pacheco, na Argentina, a partir do fim de 2026. Com isso, o lançamento oficial no mercado brasileiro está previsto apenas para 2027.
Segundo a Ford, a aposta na nova versão se apoia no bom desempenho das Maverick Tremor e F-150 Tremor, além da estratégia de ampliar ainda mais o portfólio da Ranger, que hoje já conta com cerca de seis versões, entre opções 2.0 turbodiesel e V6.