A General Motors informou que registrou uma perda de US$ 7,1 bilhões no quarto trimestre de 2025. O ajuste, divulgado em documento ao mercado e detalhado pelo The New York Times, vem principalmente da desvalorização de investimentos em fábricas de baterias e em linhas de montagem de veículos elétricos.
A revisão ocorre depois de uma mudança na política federal dos Estados Unidos, com corte de estímulos ao consumidor e flexibilização de regras ambientais. Com a demanda por elétricos perdendo força ao longo de 2025, a GM diz ter sido obrigada a redimensionar o tamanho e o ritmo da sua aposta na eletrificação.
O que entrou na conta da perda
A montadora afirmou que a maior fatia do ajuste está ligada à queda no valor de ativos voltados a baterias e veículos elétricos. Na prática, a GM reconheceu que parte da estrutura planejada para sustentar uma expansão mais acelerada perdeu justificativa econômica no cenário atual.
A empresa também incluiu compensações que terá de pagar a fornecedores por investimentos feitos para produzir componentes que, agora, deixaram de ser necessários dentro do novo plano.
Incentivos cortados e procura menor
A GM relacionou o desaquecimento da demanda à retirada de créditos federais ao consumidor, que podiam chegar a US$ 7.500 na compra ou no leasing de um elétrico e foram eliminados no fim de setembro. Ao mesmo tempo, o governo flexibilizou padrões ambientais e de consumo, reduzindo a pressão regulatória para que as montadoras ampliassem rapidamente a participação de carros sem emissões no escapamento.
Nem tudo foi sobre elétricos
Do total de US$ 7,1 bilhões, cerca de US$ 1,1 bilhão se referiu à reestruturação das operações da GM na China, em uma iniciativa que a empresa classificou como sem relação com veículos elétricos.
Esse recorte ajuda a explicar por que o número final reúne ajustes de naturezas diferentes, mesmo com o bloco principal ligado ao plano de eletrificação.
Mudança de foco para proteger margem
A montadora vinha diminuindo planos para elétricos ao mesmo tempo em que reforçava a produção de SUVs grandes e picapes, modelos descritos como mais rentáveis. A reportagem cita a fábrica de Orion, em Michigan, que estaria sendo convertida da produção de elétricos para a fabricação de veículos grandes com motor a combustão.
O reposicionamento mostra uma tentativa de preservar lucro no curto prazo, enquanto a empresa redimensiona investimentos para um ritmo de adoção menos acelerado.
Possibilidade de novas baixas, em menor escala
A GM indicou que poderia registrar outras perdas relacionadas a veículos elétricos nos meses seguintes. Ainda assim, sinalizou que os valores tendem a ficar abaixo das cobranças concentradas em 2025.
Linha segue nas lojas, mas escala continua no centro
A montadora afirmou que o realinhamento de capacidade não afetaria o portfólio atual de elétricos das marcas Chevrolet, GMC e Cadillac já em produção. Entre os exemplos citados estão o Cadillac Escalade IQ, no segmento de luxo, e o Chevrolet Equinox EV, abaixo de US$ 40 mil.
A conta de lucratividade, porém, segue dependente de volume. Para ganhar dinheiro com elétricos, a GM precisa produzir e vender em maior escala, reduzindo custos por unidade. Executivos e analistas ouvidos na reportagem projetavam retomada do crescimento das vendas já em 2026, impulsionada pela chegada de modelos na faixa de US$ 30 mil ou menos, incluindo a volta do Chevrolet Bolt.
Concorrência chinesa mantém pressão no longo prazo
Mesmo com tarifas que hoje praticamente impedem a entrada de carros chineses nos Estados Unidos, a avaliação no setor é que as montadoras americanas ainda precisam manter investimentos em eletrificação para competir com marcas como a BYD, que vendem volumes maiores na Ásia, Europa e América Latina.
