Qual Carro Tem a Manutenção Mais Barata; Elétrico ou a Combustão? Descubra

A manutenção de um automóvel sempre foi um dos fatores mais relevantes para quem pensa em comprar ou manter um veículo. Independentemente de ser um carro novo ou usado, a despesa com revisões, trocas de peças e consertos representa uma parcela expressiva dos custos ao longo da vida útil do veículo, esse FAQ do Auto ND1 tem o objetivo de responder umas das questões mais relevantes do setor nos últimos 10 anos.

Com a popularização dos carros elétricos, esse debate ganhou ainda mais intensidade: afinal, qual tipo de carro é mais barato ou mais caro de manter ao longo do tempo? A resposta não é simples e envolve vários fatores técnicos, financeiros e comportamentais que influenciam diretamente a decisão de um potencial comprador.

Neste artigo, vamos explorar em detalhes os principais aspectos da manutenção de carros com motor a combustão interna (ICE) — que usam gasolina ou etanol — e a manutenção de carros elétricos (EV), que substituem o motor tradicional por um motor elétrico alimentado por baterias. Vamos analisar desde o número de peças móveis no motor até a complexidade das revisões periódicas, estimativas de custos práticos e exemplos reais para tornar a compreensão mais concreta, especialmente no contexto do Brasil em 2025/2026.

O motor e a complexidade mecânica

Uma das maiores diferenças entre carros a combustão e elétricos está na própria natureza do motor e do trem de força.

Carros a combustão utilizam um motor complexo, composto por centenas de peças móveis que trabalham em conjunto para que o veículo funcione. Esse motor conta com um sistema robusto de pistões, válvulas, turbocompressores, correias, sistema de escapamento, bombas, filtros, velas de ignição, entre outros componentes. Essa complexidade se reflete diretamente nos custos de manutenção, pois cada peça ou sistema pode exigir revisões, substituições ou reparos ao longo do tempo.

Por outro lado, os carros elétricos têm uma estrutura muito mais simples em termos mecânicos. O motor elétrico pode ter apenas algumas dezenas de peças móveis, e muitos elementos presentes em sistemas tradicionais — como correias, velas de ignição, filtros de combustível, bomba de combustível, sistema de escapamento — simplesmente não existem. A ausência desses componentes reduz automaticamente o número de itens que precisam ser checados ou substituídos durante a vida útil do veículo. Essa diferença estrutural é um dos principais motivos pelos quais a manutenção de carros elétricos tende a ser mais barata.

Revisões programadas e intervalos de manutenção

Em um carro a combustão, a revisão programada segue um cronograma relativamente rígido. Dependendo do fabricante, os serviços são exigidos a cada determinado número de quilômetros ou meses e incluem trocas de óleo do motor, substituição de filtros (de óleo, ar, combustível), verificações do sistema de ignição, correias dentadas, componentes de escapamento e do sistema de refrigeração. Essas revisões, além de consumirem tempo, exigem a substituição de peças e fluídos constantemente.

No caso dos carros elétricos, a revisão periódica tende a ser mais simples e menos frequente. Não há necessidade de troca de óleo ou de filtros de combustível e de motor, por exemplo, e muitos sistemas que se desgastam nos carros tradicionais não existem nos elétricos. As revisões geralmente envolvem inspeções do sistema elétrico, checagem de fluídos menos volumosos (como o fluido de arrefecimento da bateria em alguns modelos), inspeção dos freios e dos pneus. Isso reduz o tempo de oficina e o custo do trabalho. 

Segundo estimativas divulgadas por publicações especializadas, o custo anual médio de manutenção de um carro elétrico intermediário no Brasil pode girar entre R$ 2.000 e R$ 3.000, enquanto um carro a combustão intermediário pode demandar algo entre R$ 4.000 e R$ 6.000 por ano quando considerados óleo, filtros, correias e revisões periódicas regulares.

Exemplo prático de revisão programada

Para tornar esses valores mais concretos:

  • Troca de óleo (carro a combustão padrão) - Serviço básico de troca de óleo e filtro: R$ 400 a R$ 600 a cada 10.000 km rodados.
  • Incluindo filtros de ar e combustível: R$ 250 a R$ 400 adicionais por ciclo.
  • Revisão completa em carro a combustão (5 anos) - Revisões periódicas completas: aproximadamente R$ 15.000 no total, considerando intervalos de 10.000 km.
  • Revisões em carro elétrico (5 anos) - Checagens básicas e inspeções especiais: estimadas entre R$ 2.000 e R$ 5.000 no total ao longo de cinco anos.

Esses números são aproximações com base em estudos de especialistas e refletem tendências gerais — os valores podem variar conforme o modelo do carro, a marca, a região e eventuais promoções de serviços nas concessionárias.

Além das revisões mais frequentes, carros a combustão trazem consigo diversos componentes que não existem nos carros elétricos e que exigem manutenção ou substituição ao longo do tempo.

Um motor a combustão precisa de velas de ignição, que geralmente são substituídas a cada 30.000 a 60.000 km e custam em média entre R$ 100 e R$ 250 por vela no mercado brasileiro, dependendo do modelo do carro e da marca da peça. Já o sistema de escapamento, incluindo catalisadores e silenciadores, pode demandar reparos que custam de R$ 900 até R$ 2.300 ou mais em casos de substituição completa.

Outro item relevante é a correia dentada, cuja troca é mandatória em muitos carros a combustão e que pode custar entre R$ 800 e R$ 2.500, dependendo do modelo e da mão de obra. ::essas peças simplesmente não existem em um carro elétrico. Esses custos, quando acumulados ao longo de cinco ou dez anos, podem representar uma parte significativa do orçamento. 

Componentes que existem apenas nos carros elétricos

Apesar de mais simples mecanicamente, os carros elétricos têm componentes específicos que exigem atenção e podem gerar custos elevados em caso de falhas, embora isso seja relativamente raro. O item mais caro, sem dúvida, é a bateria de alta tensão que alimenta o motor elétrico.

A bateria pode custar entre valores altos quando precisa de substituição, dependendo da capacidade e do modelo, embora seja importante ressaltar que na maioria dos carros elétricos a bateria é coberta por uma garantia de fábrica que geralmente vai de 8 a 10 anos ou uma certa quilometragem. O custo de substituição de um pacote de baterias pode variar amplamente, custando de R$ 30 mil a R$ 80 mil ou mais em alguns modelos, dependendo da tecnologia e capacidade do banco de baterias.

Entretanto, na prática, a necessidade de trocar a bateria antes do vencimento da garantia é relativamente baixa. Estudos indicam que baterias modernas tendem a perder apenas uma pequena porcentagem da capacidade por ano — frequentemente entre 1% e 3% — e muitos veículos conseguem manter boa autonomia por mais de 200.000 a 300.000 km de uso.

Além da bateria, os carros elétricos possuem componentes como inversores, controladores de potência e sistemas de refrigeração eletrônicos, que podem gerar custos altos em caso de falha isolada, mas são relativamente raros quando o veículo é utilizado em condições normais e recebe manutenção adequada.

Freios e desgaste por frenagem

Uma vantagem relevante dos carros elétricos que impacta diretamente a manutenção está no sistema de frenagem regenerativa, que usa o motor elétrico para recuperar energia durante a desaceleração. Esse sistema reduz o uso dos freios convencionais, diminuindo o desgaste das pastilhas de freio e discos que são um dos custos tradicionais de manutenção dos carros a combustão.

Nos carros a combustão, as pastilhas de freio normalmente precisam ser trocadas a cada 30.000 a 50.000 km, com preços que variam entre R$ 300 e R$ 800 por troca, dependendo do modelo. Nos carros elétricos, devido à frenagem regenerativa, esse intervalo pode ser muito maior, muitas vezes dobrando o tempo de vida útil dos freios e reduzindo os custos de substituição. 

Fluídos e sistemas auxiliares

Outro ponto de diferença importante refere-se aos fluidos de manutenção. Em carros a combustão o óleo do motor é um item recorrente: sua troca ocorre geralmente a cada 8.000 a 10.000 km e custa em torno de R$ 400 a R$ 600, incluindo peça e mão de obra. O fluido de transmissão, fluido de freio, fluido de arrefecimento e outros também exigem atenção periódica.

Nos carros elétricos, muitas dessas trocas não existem ou são menos frequentes. Por exemplo, não há óleo de motor a ser trocado, nem fluido de transmissão convencional. Alguns sistemas, como o fluido de arrefecimento da bateria ou dos inversores, podem ser checados, mas sua troca tende a acontecer em intervalos muito maiores e com custo inferior ao de um motor a combustão tradicional.

Mão de obra e especialização

Outro aspecto que influencia os custos é a mão de obra especializada. Carros a combustão têm uma ampla rede de oficinas e mecânicos que lidam com esse tipo de tecnologia, o que ajuda a manter custos de mão de obra relativamente estáveis e competitivos.

Por outro lado, a manutenção de carros elétricos, especialmente fora dos grandes centros urbanos, ainda enfrenta um desafio de oferta de mão de obra especializada. A necessidade de técnicos com certificação para lidar com alta-voltagem e sistemas elétricos pode elevar o custo da oficina, pelo menos enquanto a tecnologia ainda está sendo absorvida pela maioria dos reparadores no mercado.

Custos ao longo da vida útil do veículo

Ao comparar a manutenção ao longo da vida útil de um veículo, há estudos que mostram que, apesar dos custos de compra inicial dos carros elétricos serem mais altos do que carros a combustão, os custos de manutenção ao longo de cinco anos tendem a ser mais baixos. Por exemplo, estimativas apontam que a revisão e manutenção de um carro elétrico ao longo de cinco anos pode ficar entre R$ 10.000 e R$ 15.000, enquanto um veículo similar a combustão pode ter custos de manutenção que ultrapassam os R$ 20.000 a R$ 30.000 no mesmo período, considerando revisões, manutenção preventiva e custos de componentes que se desgastam.

Esses números não refletem apenas as revisões rotineiras, mas incluem aspectos como desgaste de sistemas auxiliares, substituição de peças sujeitas a desgaste e mão de obra por serviços periódicos. Além disso, a economia de combustível nos carros elétricos — que não é um custo de manutenção, mas acompanha o custo de propriedade — reforça a vantagem financeira desses veículos quando analisados em longo prazo.

Considerações finais sobre manutenção

A manutenção de um carro a combustão e de um carro elétrico apresenta diferenças fundamentais que impactam diretamente os custos ao longo da vida útil do veículo. Os carros a combustão possuem uma estrutura mecânica mais complexa, com inúmeras peças móveis sujeitas a desgaste, o que naturalmente aumenta a necessidade de manutenção e reparos ao longo do tempo. Os carros elétricos, por sua vez, embora mais caros na aquisição inicial em muitos casos, tendem a demandar menos mão de obra e menos substituições frequentes devido à sua arquitetura menos complexa e ao aproveitamento de tecnologias como frenagem regenerativa.

Fique ligado a esses detalhes:

Por outro lado, os carros elétricos ainda exigem atenção a sistemas específicos — sobretudo a bateria e seus componentes eletrônicos — que podem representar um custo elevado em caso de falhas isoladas, embora isso seja relativamente raro com produtos modernos e cobertos por garantias extensas.

Ao final das contas, a escolha entre um carro a combustão e um elétrico deve considerar não apenas o custo de manutenção, mas também fatores como o uso do veículo, estilo de condução, infraestrutura de recarga disponível, incentivos fiscais e prioridades pessoais do motorista.

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