Carros importados em SKD e CKD pagando mais imposto em 2026: o que muda?.

 

Desde 31 de janeiro, veículos importados nos regimes SKD e CKD voltaram a pagar impostos mais elevados no Brasil. A medida faz parte de um processo já anunciado pelo governo federal e não para por aí: a tendência é de novos aumentos ao longo de 2026, como forma de pressionar as montadoras a nacionalizarem a produção.

Mas afinal, o que são SKD e CKD? Por que o imposto está subindo agora? E quem perde — e quem ganha — com isso?

Vamos por partes, como sempre foi feito no bom jornalismo.

O que são carros SKD e CKD?

Essas siglas vêm do inglês e se referem a modelos semi-desmontados importados para montagem no país.

🔧 CKD – Completely Knocked Down

É o regime em que o carro chega totalmente desmontado, em centenas de peças, para ser montado localmente.

🔧 SKD – Semi Knocked Down

O veículo chega parcialmente montado, com módulos grandes já prontos, exigindo menos etapas industriais no Brasil.

Na prática, esses regimes sempre foram usados como:

Um atalho para reduzir impostos

Uma forma de “simular” produção nacional

Estratégia comum de montadoras novas ou em transição

Por que esses regimes pagavam menos imposto?

Historicamente, o governo brasileiro concedeu benefícios fiscais para CKD e SKD como forma de:

Atrair montadoras

Gerar empregos

Desenvolver a indústria local

O problema é que, com o tempo, muitas empresas pararam no meio do caminho: montavam o carro aqui, mas sem desenvolver fornecedores locais, tecnologia ou engenharia nacional.

Resultado:

➡️ Pouco valor agregado

➡️ Baixa geração de emprego qualificado

➡️ Dependência externa mantida

O que mudou desde 31 de janeiro?

Desde 31 de janeiro de 2026, os regimes CKD e SKD passaram a:

Pagar alíquotas maiores de imposto de importação

Perder parte dos incentivos que tinham

Entrar numa escada de aumento progressivo

O recado do governo é direto:

“Ou nacionaliza de verdade, ou paga como importado.”

E por que a tendência é subir ainda mais?


Porque o Brasil está redesenhando sua política industrial automotiva, com foco em três pilares:

Nacionalização real da produção

Transição energética

Reindustrialização do país

Dentro desse contexto, CKD e SKD passaram a ser vistos como:

Solução temporária

Não como modelo definitivo

A ideia é que, até 2026 e nos anos seguintes:

SKD fique cada vez menos vantajoso

CKD só faça sentido com plano claro de nacionalização

Importar “quase pronto” deixe de ser negócio


Quem será mais impactado?

Montadoras chinesas

Principalmente as que:

Entraram recentemente no Brasil

Dependem fortemente de importação

Usam CKD/SKD como etapa inicial

BYD, GWM e outras já sabem disso — e por isso anunciam fábricas, fornecedores locais e aumento de conteúdo nacional.

 Marcas menores ou de nicho

Fabricantes sem escala ou investimento industrial no Brasil tendem a:

Repassar custo ao consumidor

Ou reduzir oferta


 Consumidor final

No curto prazo, o impacto pode ser:

Carros mais caros

Menos promoções em modelos importados

Reposicionamento de versões

Quem ganha com isso?


 Indústria nacional de autopeças

Com mais exigência de conteúdo local:

Fornecedores brasileiros ganham espaço

Cadeias produtivas se fortalecem


 Emprego e renda

Produção local gera:

  • Mais empregos diretos
  • Mais qualificação
  • Mais arrecadação


 Estratégia industrial do país

O Brasil tenta evitar virar apenas:

“Um grande mercado consumidor de carros importados”

Impacto direto nos preços dos carros

Embora cada montadora tenha sua estratégia, o cenário é claro:

CKD e SKD ficam menos competitivos

Importar sai mais caro

Produzir localmente vira obrigação, não opção

Modelos que hoje parecem “bons negócios” podem:

Subir de preço

Ser substituídos por versões nacionais

Ou até sair de linha

Relação com eletrificação e carros elétricos

Esse movimento também atinge os carros elétricos e híbridos, que:

Em sua maioria ainda são importados

Dependem de baterias estrangeiras

Por isso, cresce a pressão para:

Produção local de baterias

Montagem nacional de motores elétricos

Desenvolvimento tecnológico interno

A mensagem política por trás da decisão

O aumento de impostos não é só arrecadatório. Ele carrega uma mensagem clara:

✔️ O Brasil quer indústria

✔️ Quer tecnologia

✔️ Quer emprego

❌ Não quer só montagem básica

É uma retomada de uma visão mais tradicional de política industrial, usada por décadas por países que hoje são potências industriais.


Em resumo: o que muda de verdade?

CKD e SKD ficam mais caros

Montadoras terão que nacionalizar ou pagar a conta

Carros importados tendem a subir de preço

Produção local ganha força

O mercado passa por nova reorganização

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