O Fiat 147 chegou ao Brasil em 1976, adaptado do modelo italiano Fiat 127 para as condições e demandas do mercado nacional. Na década de 1970, o mundo enfrentava a crise do petróleo, o que levou o governo brasileiro a criar o programa Proálcool, incentivando o uso do álcool como alternativa ao combustível fóssil.
Em resposta a esse cenário, a Fiat desenvolveu um motor 1.3 litro, com 62 cavalos de potência e 11,5 kgfm de torque, especialmente projetado para rodar com álcool. Após rigorosos testes, o modelo a álcool foi lançado oficialmente em 1979, inicialmente para frotas governamentais, demonstrando confiança na nova tecnologia.
O pioneirismo do álcool como combustível
O Fiat 147 foi o primeiro automóvel do mundo a ser produzido em série com motor movido a álcool, provando que o etanol poderia ser uma alternativa viável e eficiente à gasolina. O uso do álcool trouxe benefícios ambientais, como a redução da emissão de gases poluentes, e econômicos, diminuindo a dependência do petróleo importado.
Apesar de desafios técnicos, como o odor forte e a necessidade de adaptações no motor, o Fiat 147 estabeleceu as bases para o desenvolvimento dos veículos flex fuel, que permitem o uso combinado de álcool e gasolina.
Especificações técnicas do Fiat 147 a álcool
- Motor: 1.3 litro, 62 cavalos de potência
- Torque: 11,5 kgfm
- Combustível: 100% álcool (etanol hidratado)
Desempenho: Ajustado para o uso do álcool, com sistema de ignição e carburador adaptados para garantir eficiência e durabilidade.
Consumo: Um pouco maior que a versão a gasolina, compensado pelo menor custo do álcool e sua produção nacional.
Legado e influência
O lançamento do Fiat 147 a álcool consolidou o Brasil como pioneiro mundial em tecnologias de combustíveis renováveis para veículos. O modelo influenciou toda a indústria automotiva nacional e internacional, abrindo caminho para os carros flex fuel que hoje são padrão no Brasil.
Além disso, o Fiat 147 é lembrado com carinho por colecionadores e entusiastas, sendo um símbolo de inovação e sustentabilidade que marcou uma era.
Curiosidades
- O apelido “Cachacinha” surgiu por causa do cheiro característico do álcool queimado no escapamento.
- O modelo foi inicialmente usado em frotas governamentais para testar e promover a tecnologia.
- A adaptação do motor para o álcool exigiu mudanças no sistema de ignição e no carburador.
O Fiat 147 não foi apenas um carro compacto e popular; foi um marco histórico que mudou o futuro dos combustíveis automotivos. Seu pioneirismo no uso do álcool como combustível renovável permanece um legado importante, inspirando o desenvolvimento contínuo de tecnologias mais limpas e sustentáveis para o transporte.
Fiat 147, o Pequeno Gigante do Álcool
O contexto socioeconômico e ambiental da época
Nos anos 1970, o mundo vivia uma crise energética sem precedentes, causada principalmente pelos choques do petróleo que elevaram drasticamente os preços do combustível fóssil. O Brasil, altamente dependente da importação de petróleo, sentiu fortemente os impactos econômicos e buscou alternativas para garantir sua segurança energética. Foi nesse cenário que o governo brasileiro lançou o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) em 1975, com o objetivo de incentivar a produção e o uso do etanol como combustível.
O Fiat 147 a álcool surgiu como uma resposta direta a essa política pública, representando não apenas uma inovação tecnológica, mas também um símbolo de autonomia energética e sustentabilidade ambiental. O uso do álcool, produzido a partir da cana-de-açúcar, um recurso renovável e abundante no Brasil, ajudou a reduzir a dependência do petróleo e a estimular a economia agrícola nacional.
Desenvolvimento tecnológico e desafios
Adaptar um motor para funcionar com álcool não foi tarefa simples.
O álcool possui propriedades químicas diferentes da gasolina, como maior octanagem, mas também menor densidade energética e maior corrosividade. Por isso, o motor do Fiat 147 a álcool precisou de ajustes específicos, incluindo:
- Sistema de ignição reforçado: Para garantir a ignição eficiente do álcool, que tem ponto de ignição diferente da gasolina.
- Carburador adaptado: Para ajustar a mistura ar-combustível, já que o álcool exige uma proporção diferente.
- Materiais resistentes à corrosão: Componentes internos do motor foram fabricados com materiais que resistem melhor à ação do álcool.
- Tanque de combustível específico: Para evitar a contaminação e garantir a durabilidade do sistema.
Essas inovações técnicas foram pioneiras e serviram de base para o desenvolvimento dos motores flex fuel, que vieram décadas depois.
Impacto cultural e social
O Fiat 147 a álcool rapidamente conquistou o público brasileiro, não apenas por sua inovação, mas também por seu custo-benefício. O preço mais baixo do álcool em relação à gasolina, aliado ao incentivo governamental, tornou o carro acessível para muitos consumidores.
Além disso, o modelo ganhou um lugar especial na cultura popular, sendo lembrado com carinho e nostalgia. O apelido “Cachacinha” reflete o jeito informal e afetuoso com que os brasileiros receberam essa inovação, mesmo diante de algumas limitações iniciais, como o cheiro característico do combustível.
O Fiat 147 e a evolução do mercado automotivo brasileiro
O lançamento do Fiat 147 a álcool foi um marco que impulsionou toda a indústria automotiva nacional a investir em tecnologias alternativas. Nos anos seguintes, outras montadoras passaram a desenvolver veículos movidos a álcool, consolidando o Brasil como líder mundial nesse segmento.
Com o avanço da tecnologia, surgiram os carros flex fuel, capazes de rodar tanto com álcool quanto com gasolina, oferecendo maior flexibilidade e autonomia ao consumidor. Essa evolução só foi possível graças ao pioneirismo do Fiat 147.
O legado ambiental e econômico
Além do impacto tecnológico, o Fiat 147 a álcool teve um papel importante na conscientização ambiental e na promoção do uso de fontes renováveis de energia. O uso do etanol contribuiu para a redução das emissões de gases poluentes, especialmente o monóxido de carbono e os hidrocarbonetos não queimados.
Economicamente, o programa Proálcool e o sucesso do Fiat 147 estimularam a cadeia produtiva da cana-de-açúcar, gerando empregos e renda em regiões agrícolas do Brasil.
Curiosidades adicionais
- O Fiat 147 a álcool foi o primeiro carro a receber o selo “Carro Verde” em campanhas ambientais brasileiras.
- Algumas versões do modelo foram utilizadas em testes para avaliar a durabilidade do motor com álcool em condições extremas.
- O sucesso do Fiat 147 a álcool influenciou políticas públicas em outros países interessados em combustíveis renováveis.
Se você tem (ou quer ter) um Fiat 147 hoje: o que olhar antes de comprar e quais peças fazem diferença
O Fiat 147 virou peça de coleção, mas ainda é um carro “usável” — desde que você trate como clássico: prevenção e acerto fino valem mais do que “ir trocando tudo”. E, por ser um projeto dos anos 70/80, ele depende muito de itens simples (ignição, combustível, borrachas e arrefecimento) para funcionar redondo.
1) Alimentação (carburador e linhas): onde nascem 80% das dores de cabeça
Em carro carburado, o problema raramente é “misterioso”: normalmente é sujeira, vedação ressecada ou regulagem fora.
Checklist prático:
- Verifique se há cheiro forte de combustível no cofre (pode ser mangueira velha ou abraçadeira frouxa).
- Observe se o carro falha em retomadas: pode indicar giclês sujos, diafragma cansado ou entrada de ar falso.
- Se fica dias parado e depois custa a pegar, pode ser válvula de retenção, bomba de combustível ou ressecamento de vedação.
Peças/itens que valem ter no radar (e que costumam resolver rápido):
- Kit de reparo do carburador (juntas, diafragmas e agulha)
- Filtro de combustível (troca barata, efeito grande)
- Mangueira de combustível + abraçadeiras de qualidade
- Bomba mecânica de combustível (quando a original já não mantém vazão)
2) Ignição: o “segredo” de um 147 que pega fácil e não engasga
Carro antigo pode até funcionar “mais ou menos” com ignição cansada, mas nunca fica bom de verdade. E quando o objetivo é confiabilidade, ignição é prioridade.
O que olhar:
- Partida a frio ruim, marcha lenta instável e falhas sob carga.
- Cabos com fuga (dá para notar em noite/garagem escura às vezes).
- Velas com coloração irregular (mistura/queima desalinhada).
Itens recomendados:
- Jogo de velas correto para o motor
- Cabos de vela (boa marca)
- Tampa e rotor do distribuidor
- Bobina de ignição (se houver falhas intermitentes difíceis)
- Lâmpada estroboscópica/pistola de ponto (para quem gosta de acertar em casa)
3) Arrefecimento: o que salva motor antigo (e salva o seu bolso)
Em carro de décadas atrás, superaquecimento não é detalhe — é o caminho mais rápido para prejuízo. A melhor estratégia é “zerar” o básico do sistema e manter.
Pontos críticos:
- Mangueiras ressecadas e abraçadeiras fracas.
- Válvula termostática travada.
- Tampa do radiador fora da pressão correta.
- Reservatório/trincas (dependendo do ano/versão/adaptações).
Itens que valem a pena revisar/trocar preventivamente:
- Válvula termostática
- Tampa do radiador (pressão correta)
- Aditivo para radiador (uso correto, sem “água pura”)
- Jogo de mangueiras do arrefecimento
4) Borrachas, vedações e pequenas peças: onde o clássico denuncia a idade
O Fiat 147 pode estar com mecânica boa e ainda assim parecer “cansado” por causa de ruídos, entrada de água, cheiro e vibração — quase sempre por borrachas antigas.
Itens com grande retorno em conforto e acabamento:
- Buchas da suspensão (dianteira/traseira)
- Coxins do motor/câmbio
- Palhetas do limpador (simples, mas muda o uso no dia a dia)
- Kit de vedações (portas/porta-malas)
Mini-guia de compra (rápido e honesto): “restaurável” não é “barato”
Se você está de olho em um 147, tente responder a estas 5 perguntas antes de fechar negócio:
- Ele pega fácil frio e quente?
- Mantém marcha lenta sem oscilar demais?
- A temperatura sobe no trânsito?
- Há vazamentos visíveis (óleo/combustível/água)?
- A documentação e numeração estão ok?


