O gran turismo brasileiro que enfrentou importados: por que o Puma GTB virou lenda

O GTB não queria ser apenas mais um esportivo nacional. Ele queria disputar espaço com gran turismos estrangeiros — mesmo sendo totalmente brasileiro.

E conseguiu.

A virada de chave da Puma

Até o início da década de 1970, a Puma Automóveis era reconhecida por modelos compactos com mecânica Volkswagen. Eram carros ágeis, leves e bem resolvidos para a proposta urbana.

Mas o mercado pedia algo maior.

Em 1974, a fabricante decidiu usar a base mecânica do Chevrolet Opala, modelo produzido pela Chevrolet do Brasil, divisão da General Motors. Essa decisão mudou completamente o posicionamento da marca.

Nascia o Puma GTB nacional, um carro com porte de gran turismo, capô longo e presença imponente.

O significado da sigla GTB

GTB significava Gran Turismo Brasil.

Não era um nome escolhido por acaso. A proposta era clara: entregar desempenho, conforto e status em um único pacote.

O modelo tinha duas características que o diferenciavam imediatamente:

• Carroceria em fibra de vidro
• Motor 6 cilindros em linha

Essa combinação era inédita entre os esportivos brasileiros clássicos da época.

Fibra de vidro: leveza e identidade própria

A carroceria em fibra de vidro já era marca registrada da fabricante. No Puma GTB clássico, esse recurso foi elevado a outro nível.

A fibra permitia:

• Linhas agressivas
• Capô extremamente longo
• Traseira larga
• Perfil baixo e esportivo
• Produção artesanal

Além da liberdade estética, a fibra ajudava na redução de peso em relação a carrocerias convencionais de aço.

O resultado era um carro visualmente europeu, mas com DNA totalmente brasileiro.

Motor Chevrolet 4.1: o coração do projeto

O grande diferencial estava sob o capô.

O motor Chevrolet 4.1, seis cilindros em linha, já era conhecido no Chevrolet Opala pela robustez e torque elevado. No GTB, ele encontrou uma carroceria mais leve e proposta mais esportiva.

O conjunto entregava:

• Torque forte em baixas rotações
• Aceleração consistente
• Confiabilidade mecânica
• Facilidade de manutenção

Isso fazia do Puma GTB 6 cilindros um dos carros mais rápidos produzidos no Brasil na década de 1970.

Não era apenas aparência. Era desempenho real.

Desempenho e comportamento na estrada

Embora não fosse um esportivo de pista pura, o GTB oferecia comportamento estável em rodovias.

A base do Opala garantiu:

• Suspensão resistente
• Boa estabilidade em linha reta
• Conforto acima da média para esportivos

Era um carro pensado para viajar rápido, com conforto e presença.

Interior: luxo e esportividade

O acabamento interno surpreendia.

O painel trazia múltiplos instrumentos circulares, console elevado e acabamento superior ao padrão médio nacional.

Itens que chamavam atenção:

• Bancos com melhor ergonomia
• Volante esportivo exclusivo
• Instrumentação completa
• Revestimentos mais sofisticados

A proposta era competir em requinte, não apenas em potência.

Produção limitada e exclusividade

O Puma GTB esportivo brasileiro nunca foi produzido em larga escala. A fabricação artesanal limitava o volume.

As principais versões foram:

• GTB S1

O S2, lançado nos anos 1980, trouxe atualização visual e melhorias no acabamento.

A baixa produção é um dos fatores que impulsionam a valorização atual.

Mercado de clássicos e valorização

Nos últimos anos, o Puma GTB clássico passou por forte valorização no mercado de colecionadores.

Os fatores que mais influenciam o preço são:

• Originalidade
• Estado da fibra
• Documentação regular
• Versão (S1 ou S2)

Exemplares restaurados e bem preservados podem atingir cifras expressivas em leilões especializados.

O modelo deixou de ser apenas um carro antigo. Tornou-se ativo colecionável.

Bloco estratégico: peças e manutenção do Puma GTB

Um dos pontos positivos para quem deseja investir no modelo é a mecânica compartilhada com o Opala.

Peças mais procuradas no mercado:

• Kit de suspensão compatível com Opala
• Jogo de juntas do motor 4.1
• Componentes de freio
• Peças do diferencial
• Sistema de ignição

Já os itens de fibra exigem atenção especializada:

• Para-choques
• Capô
• Para-lamas
• Painéis traseiros

O compartilhamento mecânico com o Opala facilita a reposição do motor Chevrolet 4.1, tornando o carro viável mesmo décadas após o fim da produção.

Esse fator ajuda a manter o Puma GTB nacional ativo nas ruas e encontros de clássicos.

Por que ele virou lenda

O GTB representa um momento específico da indústria brasileira.

Em um período de mercado fechado, a Puma Automóveis decidiu criar um gran turismo nacional com identidade própria.

O modelo uniu:

• Design autoral
• Mecânica robusta
• Produção artesanal
• Exclusividade

Ele simboliza ousadia industrial.

Mais do que um carro, tornou-se símbolo de criatividade brasileira na indústria automotiva.

Comparação com outros esportivos nacionais

Se comparado a modelos menores da própria marca, o GTB ocupava outro patamar.

Enquanto esportivos com base Volkswagen priorizavam leveza, o GTB apostava em potência e presença.

Entre os esportivos brasileiros clássicos, poucos tinham:

• Seis cilindros
• Porte de gran turismo
• Interior mais sofisticado
• Produção limitada

Essa combinação explica sua aura diferenciada.

O legado do Puma GTB

Décadas depois, o modelo continua sendo destaque em eventos de carros antigos.

Seu visual ainda chama atenção. Seu ronco ainda impressiona. E sua história ainda desperta curiosidade.

O Puma GTB 6 cilindros não foi apenas um produto. Foi uma declaração de ambição.

E talvez seja exatamente isso que mantém seu valor simbólico e financeiro em alta.

Puma GTB, o esportivo brasileiro com motor Chevrolet 4.1 e carroceria em fibra de vidro que se tornou um dos clássicos mais valorizados do país.

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