Produzido pela Chrysler no Brasil a partir de 1969, o modelo trouxe uma proposta ousada: potência elevada, porte imponente e acabamento de alto padrão. Era o início da era dos motores V8 nacionais.
A chegada da Chrysler e a aposta no V8
Quando a Chrysler decidiu fabricar o Dart no Brasil, o mercado ainda estava em consolidação. A indústria nacional era jovem, e os modelos médios dominavam as vendas.
O Dart surgiu como carro grande, pesado e luxuoso. Seu principal diferencial era o motor V8 318 polegadas cúbicas (5.2 litros), que entregava torque abundante e desempenho superior a praticamente tudo que circulava no país.
Na prática, o Dodge Dart V8 elevou o padrão de potência disponível ao consumidor brasileiro. O carro oferecia arrancadas vigorosas, estabilidade em altas velocidades e uma condução marcada pelo torque em baixa rotação — característica clássica dos V8.
Motor 318: o coração do mito
O motor 318 tornou-se sinônimo de força. Alimentado por carburador, com construção robusta e arquitetura tradicional americana, o propulsor foi adaptado para produção nacional.
Entre os destaques técnicos:
O ronco do motor V8 brasileiro virou assinatura do modelo. Até hoje, em encontros de carros antigos, o som grave do Dart é imediatamente reconhecido.
Design imponente e presença dominante
O visual do Dart reforçava sua proposta. Capô longo, traseira larga e linhas retas transmitiam autoridade. Era um carro que ocupava espaço — física e simbolicamente.
Internamente, oferecia acabamento superior ao padrão médio nacional. Bancos largos, painel completo e conforto digno de modelos importados consolidaram o Dart como carro de alto padrão.
Com o tempo, surgiram variações que ampliaram o apelo da linha, incluindo o lendário Dodge Charger R/T, versão esportiva que levou o conceito do Dart ao extremo.
Dart, Opala e Galaxie: a disputa dos gigantes
Nos anos 1970, o Dart competia com modelos como o Chevrolet Opala e o Ford Galaxie. No entanto, apenas o Dart oferecia V8 em grande escala no Brasil naquele momento.
O Opala apostava em equilíbrio e custo mais acessível. O Galaxie tinha porte semelhante, mas o Dart se consolidou como o modelo com identidade mais agressiva e esportiva.
Essa disputa ajudou a criar a cultura dos muscle cars nacionais, que até hoje mobiliza colecionadores e entusiastas.
O impacto da crise do petróleo
A crise do petróleo de 1973 mudou o cenário global. O aumento abrupto no preço dos combustíveis afetou diretamente veículos de grande cilindrada.
Modelos com consumo elevado passaram a sofrer pressão econômica. O Dodge Dart V8 nacional, embora ainda desejado, passou a enfrentar resistência em um ambiente que valorizava economia.
Mesmo assim, o Dart manteve produção até o início dos anos 1980. A saída da Chrysler do Brasil e a posterior absorção das operações pela Volkswagen marcaram o fim definitivo da era V8 nacional em grande escala.
Versões e evolução da linha
Ao longo dos anos, o Dart recebeu atualizações visuais e mecânicas. As principais versões incluíram:
Cada uma tinha proposta distinta, mas todas carregavam o DNA da potência.
Peças de reposição e restauração
Manter um Dart em circulação exige atenção técnica. O mercado de peças para Dodge Dart ainda é ativo, especialmente entre colecionadores.
Itens mais buscados incluem:
A restauração correta exige peças compatíveis e conhecimento técnico, principalmente em motores V8 carburados.
O valor de mercado hoje
O Dodge Dart nacional se valorizou significativamente no mercado de clássicos. Exemplares originais e bem conservados alcançam cifras elevadas, especialmente versões Charger R/T.
Fatores que influenciam o valor:
O Dart deixou de ser apenas um carro antigo. Tornou-se ativo de coleção.
Por que o Dodge Dart virou lenda
O Dart simboliza uma fase ousada da indústria automotiva brasileira. Ele representa uma época em que potência era prioridade, consumo não era obstáculo e o ronco do V8 definia status.
Mais do que números técnicos, o Dodge Dart V8 construiu legado emocional. Ele é lembrado como o carro que trouxe a alma dos muscle cars americanos para o asfalto brasileiro.
Hoje, sua presença em encontros automotivos reforça o peso histórico do modelo. O Dart não foi apenas um carro potente. Ele foi o auge da era dos V8 nacionais.

