Chevrolet Blazer usada vale a pena? O que você precisa saber antes de comprar

A Chevrolet Blazer usada continua chamando atenção de quem procura um SUV antigo, robusto e com presença. O problema é que, depois de tantos anos, comprar uma unidade apenas pelo preço baixo pode transformar um negócio aparentemente barato em uma sucessão de gastos.

A Blazer brasileira teve uma vida longa e passou por uma quantidade enorme de versões e motores. A linha chegou ao mercado nacional em 1995 e passou por opções como 2.2, 2.4, 2.5 turbodiesel, 2.8 turbodiesel e 4.3 V6, além de configurações 4x2 e 4x4. 

Por isso, a pergunta certa não é simplesmente se a Blazer vale a pena.

É:

qual Blazer vale a pena comprar hoje?

A Blazer ainda é uma boa compra?

Pode ser, desde que o comprador entenda que está adquirindo um veículo antigo.

Esse é o primeiro ponto que precisa ficar claro.

Uma Blazer bem conservada pode entregar robustez, espaço, conforto razoável e uma mecânica relativamente conhecida no mercado brasileiro. Por outro lado, uma unidade negligenciada pode exigir dinheiro justamente nas áreas mais caras: motor, transmissão, suspensão, sistema de arrefecimento e, nas versões 4x4, componentes do sistema de tração.

O histórico de manutenção, portanto, pesa mais do que simplesmente o ano de fabricação.

E existe outro detalhe importante: não existe uma única Blazer.

As diferenças entre uma 2.4 básica e uma 4.3 V6 Executive, por exemplo, são enormes.

Quais motores a Blazer teve?

A variedade de motores é uma das principais características da trajetória brasileira do modelo.

No começo, a Blazer utilizava o 2.2 a gasolina, inicialmente com 106 cv e posteriormente com evolução do sistema de injeção.

Depois vieram os motores que transformaram completamente a personalidade do SUV.

O 4.3 V6 apareceu com 180 cv e se tornou uma das configurações mais desejadas por quem procura desempenho. Mais tarde, o V6 recebeu evolução e chegou a 192 cv em determinadas aplicações. 

No diesel, a Blazer passou pelo 2.5 turbodiesel e posteriormente pelo 2.8 turbodiesel, incluindo versões com tração 4x4. Documentos oficiais da Chevrolet também registram aplicações do 2.5 e 2.8 diesel em diferentes anos-modelo. 

Mais tarde, o 2.4 assumiu espaço importante na linha e, já na fase final, passou a utilizar tecnologia FlexPower.

Essa diversidade é ótima para o mercado de usados, mas também significa que o comprador precisa saber exatamente qual versão está procurando.

Qual motor escolher?

Aqui não existe uma resposta única.

2.4

É uma alternativa mais racional para quem quer uma Blazer para uso cotidiano e não faz questão de desempenho.

O problema é que a carroceria é pesada.

Por isso, não espere comportamento semelhante ao de um SUV moderno.

4.3 V6

É a escolha para quem quer experimentar a Blazer em sua configuração mais carismática.

O V6 entrega muito mais personalidade e combina melhor com a proposta de um SUV grande.

O preço dessa diversão aparece no consumo.

2.8 turbodiesel

É a opção que faz mais sentido para quem pretende utilizar a Blazer em viagens, estradas ruins ou situações em que torque e autonomia sejam importantes.

Nas versões 4x4, o conjunto se torna ainda mais interessante para uso fora de estrada.

2.5 turbodiesel

Tem importância histórica, mas atualmente o estado de conservação deve pesar muito na decisão.

Estamos falando de veículos com décadas de uso.

Resumo:

uso urbano e racional → 2.4

desempenho e prazer → 4.3 V6

uso pesado e viagens → 2.8 turbodiesel

E a versão Executive?

A Executive é uma das Blazer mais interessantes para quem procura uma configuração sofisticada dentro da linha antiga.

Ela surgiu em 1997 com o V6 e recebeu elementos diferenciados, incluindo acabamento mais luxuoso. 

Em determinadas fases, também existiram configurações Executive associadas ao 2.8 turbodiesel e 4x4. A variedade de combinações por ano é grande, então é importante conferir a configuração específica do veículo antes da compra. 

Para colecionador ou entusiasta, uma Executive original e bem conservada pode ser muito mais interessante do que uma Blazer modificada.

O problema de comprar a Blazer mais barata

Esse talvez seja o maior erro.

A Blazer ficou barata em relação ao tamanho e à presença que oferece, mas isso não significa que qualquer unidade seja um bom negócio.

Imagine encontrar uma unidade muito abaixo do preço praticado por carros semelhantes.

O vendedor diz:

“É só fazer uma revisão.”

Essa frase precisa acender o alerta.

Em um SUV dessa idade, “revisão” pode significar:

  • suspensão;
  • freios;
  • pneus;
  • arrefecimento;
  • correias;
  • mangueiras;
  • vazamentos;
  • embreagem;
  • câmbio;
  • diferencial;
  • sistema elétrico;
  • ar-condicionado;
  • componentes do 4x4.

O valor inicial baixo pode desaparecer rapidamente.

O que verificar antes de comprar?

1. Sistema de arrefecimento

É um dos primeiros itens que eu verificaria.

Procure sinais de:

  • superaquecimento;
  • vazamento;
  • reservatório deteriorado;
  • mangueiras antigas;
  • radiador comprometido;
  • ventoinha funcionando incorretamente.

Um sistema de arrefecimento negligenciado pode gerar problemas muito mais caros.

2. Motor

O motor deve funcionar de maneira uniforme.

Observe:

fumaça excessiva, ruídos anormais, vazamentos, marcha lenta irregular e dificuldade na partida.

No V6, vale atenção especial ao histórico de manutenção.

No diesel, além do motor propriamente dito, é importante verificar todo o sistema relacionado à alimentação e ao turbo.

3. Câmbio

Faça o teste com o carro frio e depois quente.

No automático, observe se existem:

  • trancos;
  • demora para engatar;
  • patinação;
  • mudanças irregulares.

No manual, confira:

  • embreagem;
  • engates;
  • ruídos;
  • dificuldade para selecionar marchas.

Uma embreagem muito alta ou com funcionamento estranho merece investigação antes da compra.

4. Tração 4x4

Se a Blazer for 4x4, esse item merece uma inspeção específica.

Não basta o botão ou comando indicar que o sistema está funcionando.

É preciso verificar:

caixa de transferência;

  • diferenciais;
  • cardãs;
  • cruzetas;
  • vazamentos;
  • ruídos;
  • funcionamento efetivo das diferentes posições.

A tração 4x4 acrescenta capacidade, mas também acrescenta componentes que podem exigir manutenção.

5. Suspensão

A suspensão merece atenção especial em uma Blazer antiga.

Durante o teste, procure:

  • batidas secas;
  • rangidos;
  • carro puxando para um lado;
  • desgaste irregular dos pneus;
  • excesso de inclinação em curvas;
  • volante vibrando.

O desgaste de componentes acumulado durante décadas pode deixar o carro muito diferente do comportamento original.

6. Carroceria e estrutura

Aqui está um ponto que muita gente negligencia.

Não olhe apenas para pintura bonita.

Confira:

  • longarinas;
  • assoalho;
  • caixas de roda;
  • pontos de fixação;
  • portas;
  • tampa traseira;
  • sinais de colisão;
  • soldas;
  • diferenças de tonalidade.

Uma Blazer pode receber uma pintura bonita e esconder uma história ruim.

Consumo: ela bebe muito?

A resposta curta é:

dependendo do motor, sim.

Especialmente nas versões V6.

Referências de mercado para a Blazer apontam consumo urbano bastante elevado nos motores a gasolina, com números na faixa de 5 a 6 km/l em determinadas configurações. 

Por isso, quem procura uma Blazer precisa decidir antes:

quero economizar combustível ou quero a experiência do V6?

Não existe milagre.

Uma Blazer 4.3 V6 pesada, antiga e automática não deve ser tratada como um SUV econômico.

E as peças?

Aqui existe uma vantagem importante.

A Blazer foi produzida no Brasil por muitos anos e compartilhou componentes com a família S10.

Isso ajuda a explicar por que ainda existe uma oferta relativamente ampla de peças e conhecimento mecânico no mercado.

Mas isso não significa que tudo seja barato ou fácil de encontrar.

Peças específicas de versões antigas, acabamento, componentes eletrônicos e determinados itens de sistemas 4x4 podem exigir pesquisa.

O comprador deve procurar primeiro a disponibilidade das peças da versão que pretende comprar.

Qual Blazer eu compraria?

Se o objetivo fosse ter uma Blazer para usar, eu priorizaria uma unidade:

bem conservada + com histórico de manutenção + mecânica original + sem adaptações.

Depois escolheria o motor de acordo com o uso.

Para uso urbano:

  • 2.4 4x2, desde que o desempenho seja suficiente para o proprietário.
  • Para quem quer personalidade:
  • 4.3 V6, principalmente uma unidade original e bem mantida.
  • Para viagens e uso pesado:
  • 2.8 turbodiesel, especialmente se a utilização justificar o 4x4.
  • Para colecionar:
  • Uma Executive original, em excelente estado, merece atenção especial.

Vale a pena comprar uma Chevrolet Blazer usada?

Sim, mas somente se você comprar o carro certo.


A Blazer não deve ser escolhida apenas porque custa pouco.


Ela faz sentido para quem procura:

  • SUV grande;
  • construção tradicional;
  • mecânica conhecida;
  • bom espaço;
  • capacidade para viagens;
  • possibilidade de encontrar versões V6 e diesel;
  • personalidade de um modelo que marcou uma época.
  • Mas não é uma compra indicada para quem quer:
  • baixo consumo;
  • manutenção previsível de carro popular;
  • tecnologia moderna;
  • segurança equivalente aos SUVs atuais;
  • conforto eletrônico contemporâneo.

Ela é um carro de outra época.

E justamente por isso ainda desperta interesse.

O veredito do Auto ND1

A Chevrolet Blazer usada vale a pena, mas a resposta depende muito mais do estado do exemplar do que do preço anunciado.

Entre duas Blazer do mesmo ano, eu escolheria sem hesitar a mais íntegra, mesmo que custasse mais.

Uma unidade bem mantida pode ser uma excelente porta de entrada para quem quer um SUV clássico brasileiro.

Uma unidade barata e negligenciada pode se transformar rapidamente em um projeto caro.

E essa é a principal regra para comprar uma Blazer hoje:

não compre o carro mais barato; compre o carro que apresenta o melhor histórico.

A Blazer deixou de ser apenas um SUV antigo. Para muita gente, ela já entrou na categoria de carro nacional que marcou uma geração.

Leia também:

Chevrolet Blazer: trajetória de um ícone 

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