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Nos anos 1990, algumas fabricantes japonesas decidiram que seus carros esportivos não precisavam mais ser apenas alternativas acessíveis aos modelos europeus.

Era possível criar máquinas sofisticadas, rápidas e tecnologicamente avançadas.

Foi nesse cenário que surgiram dois dos nomes mais interessantes daquela geração:

Mitsubishi 3000GT VR-4 e Nissan 300ZX Twin Turbo.

Os dois tinham motor V6 de 3,0 litros, dois turbocompressores e proposta semelhante. Mas seguiram filosofias completamente diferentes.

O Mitsubishi apostou em tração integral, tecnologia e estabilidade.

O Nissan preferiu uma receita mais tradicional de tração traseira, menor peso e comportamento mais esportivo.

E existe uma maneira particularmente interessante de descobrir qual deles funcionava melhor.

Em maio de 1992, a Quatro Rodas levou os dois ao autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, para um comparativo conduzido pelo então piloto de Fórmula 1 Christian Fittipaldi. Os carros foram avaliados em dez critérios, incluindo desempenho, câmbio, frenagem, estabilidade, conforto, espaço e estilo. 

O resultado mostra por que essa rivalidade continua interessante décadas depois.

Dois japoneses, duas filosofias

O 3000GT VR-4 tinha motor dianteiro transversal, V6 de 2.972 cm³, dois turbos, 300 cv e tração integral.

O 300ZX Turbo utilizava V6 de 2.960 cm³, também biturbo e com 300 cv, mas com motor longitudinal e tração traseira.

Essa diferença mecânica é fundamental.

O Mitsubishi utilizava a tração integral como ferramenta para colocar a potência no chão e aumentar a estabilidade.

O Nissan seguia uma fórmula mais tradicional de esportivo: motor dianteiro, tração traseira e comportamento mais diretamente influenciado pelo acelerador.

Na prática, isso produzia personalidades diferentes.

A Quatro Rodas resumiu o Mitsubishi como um esportivo mais tecnológico e fácil de conduzir, enquanto classificou o Nissan como um carro de caráter mais esportivo e focado em desempenho.

3000GT VR-4: o tecnológico

O Mitsubishi talvez seja o mais impressionante quando analisado como projeto.

O VR-4 não queria apenas ser rápido.

Ele queria mostrar tecnologia.

A configuração reunia tração integral, direção nas quatro rodas, suspensão eletronicamente controlada, aerodinâmica ativa e outros sistemas que eram extremamente sofisticados para o período.

Nos modelos posteriores, a receita ainda evoluiu.

Em 1994, por exemplo, o VR-4 passou a entregar 320 cv, recebeu câmbio manual de seis marchas e ganhou melhorias nos freios e na aerodinâmica. 

Isso ajuda a explicar por que o 3000GT é tão interessante hoje.

Ele é quase uma fotografia da ambição tecnológica japonesa dos anos 1990.

300ZX: o esportivo mais tradicional

O Nissan seguia outro caminho.

Mesmo sendo altamente tecnológico para sua época, o 300ZX parecia menos preocupado em impressionar pela quantidade de sistemas.

O foco estava na experiência de condução.

A tração traseira permitia uma interação mais direta entre motorista, acelerador e comportamento do carro.

E isso apareceu no comparativo brasileiro.

Christian Fittipaldi preferiu os engates do câmbio do 300ZX e considerou seu comportamento mais esportivo. 

Não significa que o Nissan fosse simplesmente “melhor”.

Significa que ele entregava uma experiência diferente.

Qual era mais rápido?

Aqui temos um dos dados mais interessantes.

No teste realizado pela Quatro Rodas em 1992:

MediçãoMitsubishi 3000GT VR-4Nissan 300ZX Turbo
0–100 km/h7,09 s6,71 s
80–0 km/h27,9 m25,1 m
Velocidade máxima186,2 km/h195,4 km/h
Potência300 cv300 cv
Peso1.700 kg1.610 kg

O Nissan foi mais rápido no 0–100 km/h, alcançou maior velocidade máxima e também parou em uma distância menor no teste. 

Mas existe uma explicação importante.

O 300ZX era cerca de 90 kg mais leve.

E isso faz diferença em um esportivo.

E nas curvas?

Aqui o jogo muda.

O 3000GT tinha uma carta muito importante:

tração integral.

Segundo a avaliação de Christian Fittipaldi, o Mitsubishi apresentava comportamento superior nas curvas justamente por combinar tração integral com pneus de perfil baixo e rodas maiores. 

Essa característica fazia o carro parecer mais fácil de controlar.

O 300ZX, por sua vez, entregava uma condução mais tradicional.

Para quem gosta de um esportivo que exige mais participação do motorista, isso pode ser uma vantagem.

Para quem quer confiança e estabilidade, o Mitsubishi pode ser mais interessante.

Qual tem o melhor câmbio?

No comparativo original, vantagem para o Nissan.

Christian Fittipaldi considerou os engates do 300ZX melhores.

No Mitsubishi testado em 1992, havia uma sensação de incerteza durante as trocas, enquanto o Nissan transmitia uma operação mais precisa. 

Mas existe uma ressalva importante para quem está pesquisando um 3000GT atualmente.

Os VR-4 posteriores receberam câmbio manual de seis marchas, enquanto os primeiros modelos utilizavam cinco velocidades. 

Portanto, não é correto utilizar automaticamente a avaliação do 3000GT de 1992 para representar todos os VR-4 produzidos posteriormente.

Qual é mais pesado?

O Mitsubishi.

No comparativo de 1992, o 3000GT pesava aproximadamente 1.700 kg, contra 1.610 kg do Nissan. 

São cerca de 90 kg de diferença.

Isso ajuda a explicar parte da personalidade dos dois carros.

O Nissan é mais compacto e leve.

O Mitsubishi é maior, mais pesado e mais equipado.

É quase como comparar duas interpretações diferentes do mesmo conceito.

E o espaço interno?

Aqui o Mitsubishi tem uma vantagem que muita gente esquece.

O 3000GT possuía banco traseiro, permitindo transportar duas crianças.

O 300ZX era essencialmente um esportivo de dois lugares.

Na avaliação da Quatro Rodas, o espaço dianteiro do Nissan também agradou bastante, especialmente para motoristas altos. 

Portanto:

3000GT = mais versatilidade.

300ZX = proposta mais puramente esportiva.

Qual tem o melhor interior?

Depende do gosto.

O painel do 3000GT era mais carregado e tecnológico.

O Nissan apresentava um interior mais simples e limpo.

Christian Fittipaldi considerou o painel do Mitsubishi mais adequado à proposta de um esportivo, enquanto descreveu o interior do Nissan como mais simples. 

Hoje, essa diferença pode ser ainda mais interessante.

O interior do 3000GT transmite exatamente a estética tecnológica dos anos 1990.

É quase como entrar em um videogame daquela época.

E o design?

Aqui a escolha é completamente subjetiva.

O 3000GT tem aparência mais musculosa e tecnológica.

O 300ZX é mais baixo, limpo e elegante.

E o curioso é que a Quatro Rodas já apontava essa diferença em 1992.

Christian Fittipaldi considerou as linhas do Nissan mais modernas e agressivas. 

Décadas depois, essa discussão continua válida.

O 3000GT parece dizer:

“olhe toda a tecnologia que eu tenho”.

O 300ZX parece dizer:

“não preciso mostrar tanto”.

Qual deles tem mais tecnologia?

Aqui não há muita discussão.

3000GT VR-4.

A Mitsubishi colocou no carro uma quantidade impressionante de sistemas.

Dependendo do ano e da versão, encontramos recursos como:

  • tração integral;
  • direção nas quatro rodas;
  • suspensão eletrônica;
  • aerodinâmica ativa;
  • sistema de escape ajustável;
  • V6 biturbo;
  • sistemas eletrônicos avançados.

O problema é que toda essa tecnologia também significa mais componentes para manter décadas depois.

E isso importa muito para quem está pensando em comprar um exemplar hoje.

Qual é mais fácil de manter?

Aqui precisamos ter cuidado.

Não existe um vencedor absoluto.

Os dois são esportivos japoneses antigos, turbo e relativamente complexos.

Mas o 3000GT possui uma característica que pode pesar contra ele:

complexidade.

Quanto mais sistemas específicos existem no carro, maior pode ser o desafio de encontrar peças, especialistas e soluções adequadas décadas depois.

No caso do VR-4, sistemas como tração integral, direção traseira e equipamentos eletrônicos aumentam a lista de itens que precisam ser examinados.

Por isso, o nosso conteúdo anterior sobre os problemas mais comuns do 3000GT VR-4 é fundamental para quem está chegando agora ao cluster.

E o consumo?

Nenhum dos dois foi feito para economizar.

O 3000GT VR-4 1994, por exemplo, aparece nas referências da EPA com 16 mpg na cidade, 22 mpg na estrada e 18 mpg combinados, aproximadamente 6,8 km/l, 9,4 km/l e 7,7 km/l. 

O 300ZX também não deve ser tratado como carro econômico.

São dois V6 biturbo de grande cilindrada desenvolvidos para desempenho.

Portanto, quem está escolhendo entre eles precisa pensar mais em:

estado de conservação + custo de manutenção + disponibilidade de peças

do que em pequenas diferenças de consumo.

E qual é mais divertido?

Agora entramos na parte mais subjetiva.

Se você gosta de:

carro mais tecnológico, estável e fácil de conduzir → 3000GT VR-4.

Se prefere:

carro mais leve, tradicional e comunicativo → 300ZX.

Foi exatamente essa diferença que apareceu no comparativo de época.

O Mitsubishi transmitia maior segurança nas curvas.

O Nissan entregava uma sensação mais esportiva.

Qual eu compraria hoje?

Aqui a resposta depende do objetivo.

Para quem quer tecnologia e exclusividade:

Mitsubishi 3000GT VR-4.

É mais complexo, mas justamente por isso representa uma das propostas mais extravagantes da era de ouro dos esportivos japoneses.

Para quem quer dirigir:

Nissan 300ZX Twin Turbo.

O menor peso e a tração traseira formam uma combinação extremamente interessante.

Para quem quer colecionar:

depende do exemplar.

Um 3000GT VR-4 original e bem conservado pode ser muito mais interessante do que um 300ZX modificado.

E o contrário também é verdadeiro.

O preço pode mudar completamente a escolha

Esse é um ponto que não pode ser ignorado no mercado de usados.

Um carro raro não é necessariamente um carro caro de manter.

Mas um carro raro mal conservado pode ser muito caro de recuperar.

Por isso, a comparação precisa ir além do preço de compra.

Antes de fechar negócio, o comprador precisa investigar:

  • histórico de manutenção;
  • originalidade;
  • motor;
  • turbos;
  • câmbio;
  • sistema de tração;
  • suspensão;
  • elétrica;
  • carroceria;
  • disponibilidade de peças.

Um 3000GT barato pode exigir uma fortuna para voltar ao estado correto.

O mesmo vale para um 300ZX.

O grande dilema: tecnologia ou simplicidade?

No fundo, essa é a pergunta que resume a comparação.

O Mitsubishi 3000GT VR-4 representa o caminho da tecnologia.

O Nissan 300ZX representa uma interpretação mais tradicional do esportivo.

E ambos conseguiram fazer algo que hoje parece cada vez mais raro:

transformar engenharia japonesa em objeto de desejo.

O veredito do Auto ND1

Se a pergunta for:

Qual é o melhor esportivo?

Não existe resposta universal.

Qual é mais rápido?

No teste de época da Quatro Rodas, o Nissan 300ZX levou vantagem em aceleração, velocidade máxima e frenagem. 

Qual é melhor nas curvas?

O 3000GT VR-4 impressionou pela tração integral e facilidade de condução. 

Qual é mais tecnológico?

3000GT VR-4.

Qual é mais leve e esportivo?

300ZX.

Qual eu recomendaria para comprar?

Eu escolheria o exemplar mais íntegro, independentemente do emblema.

Porque estamos falando de carros que já passaram dos 30 anos.

Nesse estágio da vida, o estado do carro vale mais do que a ficha técnica.

Um 3000GT VR-4 impecável é uma compra muito mais interessante do que um 300ZX negligenciado.

E um 300ZX original e bem mantido pode ser muito mais desejável do que um VR-4 cheio de adaptações.

A conclusão que explica essa rivalidade

Talvez a melhor forma de resumir seja voltar à avaliação feita em Jacarepaguá.

Naquela comparação, os dois carros tinham 300 cv, mas entregavam experiências completamente diferentes. O Nissan foi mais rápido, enquanto o Mitsubishi ofereceu maior sensação de controle nas curvas graças à tração integral. 

E existe uma frase atribuída a Christian Fittipaldi naquele comparativo que resume perfeitamente o dilema: ele escolheria um Mitsubishi com a carroceria do Nissan

Décadas depois, essa mistura ainda parece fazer sentido.

O 3000GT tinha a tecnologia.

O 300ZX tinha a personalidade.

E os dois ajudaram a escrever um dos capítulos mais interessantes da história dos esportivos japoneses dos anos 1990

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