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| Foto: Reprodução / Renault do Brasil |
O Renault Kwid chegou ao mercado brasileiro em 2017 prometendo ser uma alternativa barata de entrada, com visual robusto de SUV compacto e um preço bastante competitivo diante de rivais como Fiat Mobi, Volkswagen Up! e Chevrolet Onix Joy. Ao longo dos anos, o modelo se popularizou principalmente entre motoristas de aplicativo e famílias que buscavam o primeiro carro, o que fez com que uma boa quantidade de unidades já tenha ultrapassado os 100 mil quilômetros rodados.
Como todo carro popular de baixo custo, o Kwid tem pontos fortes — economia de combustível, manutenção relativamente barata e boa dirigibilidade urbana — mas também apresenta uma série de problemas recorrentes que costumam aparecer com mais frequência a partir dessa marca de quilometragem. Neste artigo, vamos detalhar os principais problemas relatados por proprietários e mecânicos especializados na marca, para que quem está pensando em comprar um Kwid usado (ou já é dono de um) saiba exatamente o que observar.
1. Barulhos na suspensão
Um dos problemas mais citados por donos de Kwid com quilometragem elevada é o aparecimento de barulhos na suspensão, principalmente ao passar por buracos, lombadas ou pisos irregulares. Isso costuma estar relacionado ao desgaste dos batentes de suspensão, buchas da bandeja dianteira e amortecedores.
A suspensão do Kwid, embora seja bem calibrada para absorver as imperfeições do asfalto brasileiro, não é das mais robustas do segmento. Com o uso constante em vias esburacadas, é comum que as buchas de borracha ressequem e comecem a produzir ruídos de "estalo" ou "batida seca" nas rodas dianteiras. Em muitos casos, a troca das buchas resolve o problema sem necessidade de trocar a bandeja inteira, o que ajuda a manter o custo do reparo sob controle.
Os amortecedores também tendem a perder eficiência por volta dos 80 a 100 mil quilômetros, e vazamentos de óleo nesses componentes são relativamente comuns. Um teste simples — pressionar cada canto do carro e observar se ele retorna suavemente ou continua "balançando" — pode indicar amortecedores gastos.
2. Problemas elétricos e no painel
O sistema elétrico é outro ponto sensível do Kwid, especialmente nas versões mais antigas. Proprietários relatam com frequência:
- Módulo do vidro elétrico com falhas intermitentes;
- Sensores de estacionamento que param de funcionar ou apitam sem motivo aparente;
- Central multimídia (nas versões equipadas) travando ou reiniciando sozinha;
- Problemas no painel digital, com informações piscando ou sumindo momentaneamente;
- Trava elétrica das portas funcionando de forma inconsistente.
Esses problemas geralmente têm origem em conectores oxidados, chicotes elétricos ressecados pelo calor do motor ou mau contato em fusíveis. Como o Kwid tem um sistema elétrico relativamente simples se comparado a modelos mais caros, a maioria desses reparos não é cara, mas pode ser frustrante pela recorrência — é comum o problema "voltar" depois de algum tempo se o reparo não for bem-feito.
3. Desgaste prematuro de pastilhas e discos de freio
Motoristas que rodam bastante em cidade — como é o caso de grande parte dos donos de Kwid que trabalham com aplicativos de transporte — relatam desgaste mais rápido do sistema de freios do que em outros modelos da categoria. Isso se deve, em parte, ao peso relativamente baixo do carro combinado com discos de freio que não são superdimensionados.
Depois dos 100 mil quilômetros, é praticamente certo que o proprietário já tenha trocado pastilhas de freio pelo menos três ou quatro vezes, e os discos dianteiros também costumam precisar de retífica ou substituição nesse período. Um sinal de alerta importante é a trepidação no pedal de freio ou no volante ao frear em velocidades mais altas, o que geralmente indica discos empenados.
4. Consumo de óleo acima do normal
O motor 1.0 SCe (Smart Control efficiency), usado na maioria das versões do Kwid, é conhecido por ser simples e de manutenção barata, mas alguns proprietários relatam consumo de óleo acima do esperado conforme a quilometragem avança. Isso pode estar associado a:
- Desgaste dos anéis do pistão;
- Retentores de válvulas ressecados;
- Vazamentos pela junta do cárter ou tampa de válvulas.
Um consumo de óleo excessivo (quando o motor "bebe" óleo entre uma troca e outra, exigindo complemento) é um sinal de que o motor já rodou bastante e pode estar próximo de precisar de uma retífica, dependendo da gravidade. Por isso, é essencial verificar o nível de óleo regularmente em carros com mais de 100 mil quilômetros, e desconfiar de fumaça azulada no escapamento, que indica queima de óleo.
5. Problemas na embreagem e câmbio
Nas versões manuais, que são a grande maioria dos Kwid vendidos no Brasil, a embreagem tende a apresentar desgaste mais acentuado após os 100 mil quilômetros, principalmente em carros usados intensamente no trânsito urbano (parado e andando o tempo todo). Os sintomas mais comuns incluem:
- Pedal de embreagem "patinando", ou seja, o motor acelera sem a resposta proporcional de velocidade;
- Dificuldade para engatar marchas, especialmente a ré ou a primeira;
- Ruídos metálicos ao pisar no pedal de embreagem, indicando desgaste do rolamento.
A troca do kit de embreagem completo (disco, platô e rolamento) costuma ser necessária entre 80 e 120 mil quilômetros, dependendo do estilo de condução. Já as versões automáticas (AMT), presentes em algumas configurações do Kwid, também podem apresentar trocas de marcha mais bruscas ou lentidão na resposta conforme o desgaste avança, sendo recomendável uma atenção redobrada ao óleo específico dessa transmissão.
6. Ar-condicionado com perda de eficiência
Outro problema comum relatado por proprietários de Kwid rodados é a perda de eficiência do ar-condicionado, especialmente em dias mais quentes. As causas mais frequentes incluem:
- Vazamento de gás no sistema, muitas vezes por conexões ressecadas;
- Compressor com desgaste, causando ruído ao ligar o sistema;
- Filtro de cabine sujo ou nunca trocado, reduzindo a vazão de ar gelado.
Como o ar-condicionado do Kwid já não é considerado extremamente potente mesmo quando novo, o desgaste natural com a quilometragem tende a tornar esse ponto ainda mais perceptível, sendo um dos itens que mais gera reclamação entre os proprietários que rodam em regiões de clima quente.
7. Corrosão e problemas na lataria
Por ser um carro de entrada, o Kwid utiliza chapas de aço mais finas em alguns pontos da carroceria, o que pode favorecer o início de processos de corrosão, principalmente em regiões litorâneas ou onde há uso frequente em estradas de terra e contato com água salgada ou lama. Os pontos mais sensíveis costumam ser:
- Parte inferior das portas;
- Rodapés;
- Bordas do capô e do porta-malas;
- Assoalho, em casos de infiltração de água.
Depois dos 100 mil quilômetros, especialmente em unidades que nunca passaram por um bom processo de lavagem do chassi ou aplicação de anticorrosivo, é comum encontrar pontos de ferrugem superficial, que se não tratados a tempo podem evoluir para problemas estruturais mais sérios.
8. Barulhos no motor e correia dentada
O motor 1.0 do Kwid utiliza corrente de comando em algumas versões e correia dentada em outras, dependendo do ano e da motorização específica — por isso é fundamental verificar qual sistema equipa a unidade antes de comprar um Kwid usado. Nos modelos com correia dentada, a troca preventiva costuma ser recomendada entre 60 e 100 mil quilômetros, e negligenciar essa manutenção pode causar danos graves ao motor caso a correia se rompa durante o uso.
Além disso, é comum surgir um ligeiro ruído metálico no motor em marcha lenta conforme a quilometragem avança, muitas vezes associado ao desgaste natural de componentes internos ou à necessidade de troca do óleo com maior frequência do que o recomendado pelo manual, especialmente em cidades com trânsito pesado.
9. Problemas na direção elétrica
A direção elétrica do Kwid, item que trouxe leveza e praticidade ao volante, também pode apresentar problemas após uso prolongado. Os relatos mais comuns incluem:
- Ruído de "chiado" ao girar o volante em baixa velocidade;
- Perda temporária de assistência, deixando a direção pesada por alguns segundos;
- Folga excessiva no volante, indicando desgaste na coluna de direção ou nas terminações.
Esse é um problema que exige atenção redobrada, já que envolve diretamente a segurança do veículo. Qualquer ruído estranho ou instabilidade na direção deve ser investigado imediatamente por um mecânico de confiança.
10. Desgaste de peças de acabamento interno
Por fim, um problema mais estético do que mecânico, mas igualmente citado por quem já rodou bastante com o Kwid: o desgaste do acabamento interno. Bancos com tecido gasto ou rasgado, plásticos do painel ressecados e rangendo, maçanetas internas frouxas e botões que perdem a serigrafia são queixas frequentes em unidades com mais de 100 mil quilômetros. Isso está relacionado à qualidade dos materiais utilizados, que prioriza custo-benefício em detrimento da durabilidade a longo prazo — algo esperado em um carro de entrada, mas que pode incomodar quem busca uma experiência de uso mais refinada.
Vale a pena comprar um Kwid com mais de 100 mil km?
Apesar da lista de problemas apresentada, é importante destacar que muitos desses itens são comuns a praticamente todos os carros populares nessa faixa de quilometragem, e não são exclusividade do Kwid. O segredo para quem pretende comprar (ou já possui) um Kwid rodado está em manter a manutenção preventiva em dia, verificar o histórico de revisões e, principalmente, contar com um mecânico de confiança para uma vistoria completa antes de fechar negócio.
Itens como suspensão, embreagem e sistema elétrico merecem atenção especial na hora da inspeção, já que são os que mais aparecem nos relatos de proprietários. Já problemas de corrosão e acabamento interno dependem muito do cuidado que o dono anterior teve com o veículo ao longo dos anos.
No fim das contas, o Renault Kwid continua sendo uma opção interessante para quem busca um carro econômico e de manutenção barata, desde que o comprador esteja ciente dos pontos de atenção típicos dessa quilometragem e negocie o preço de acordo com o estado real de conservação do veículo.

