Seguro do carro pode ficar mais barato para mulheres e mais caro para homens? Entenda como o preço é calculado em 2026.

 


Durante muitos anos, tornou-se comum ouvir que mulheres pagavam menos pelo seguro do carro do que homens. A explicação estava relacionada principalmente às estatísticas de acidentes e ao comportamento de diferentes perfis de motoristas. Em 2026, porém, essa lógica já não pode ser tratada como uma regra.

Levantamentos recentes mostram que, dependendo do modelo do veículo, da cidade, da idade e de outras características do segurado, mulheres podem pagar mais, menos ou praticamente o mesmo que homens.

Ou seja: não existe um preço universal de seguro para homens ou mulheres. A apólice é calculada individualmente e considera uma combinação de fatores que ajudam a seguradora a estimar o risco de ocorrência de um sinistro.

Mulheres sempre pagaram menos?

Durante bastante tempo, o mercado associou o perfil feminino a uma menor frequência de acidentes graves, o que contribuiu para cotações mais baixas em determinados perfis.

Esse comportamento, entretanto, não significa que todas as mulheres tenham necessariamente um seguro mais barato. A própria dinâmica do mercado pode alterar os valores ao longo do tempo.

Uma análise divulgada em 2026 com base em cotações da Creditas mostrou justamente uma mudança interessante: considerando determinados perfis e os modelos mais vendidos nas principais capitais brasileiras, o preço médio do seguro para homens caiu 1,5% ao longo de 2025, enquanto para mulheres houve aumento de 2,5%.

Em outra simulação divulgada pelo Vrum, diferenças próximas de R$ 2 mil foram observadas entre determinados perfis masculino e feminino, dependendo do veículo e das características consideradas na cotação.

Isso ajuda a explicar por que a frase "seguro é mais barato para mulher" já não deve ser tratada como uma verdade absoluta.

Por que homens podem pagar mais?

As seguradoras trabalham com estatísticas para estimar a probabilidade e o custo de determinados eventos. O objetivo é calcular o risco associado à apólice.

Historicamente, determinados grupos de motoristas do sexo masculino apresentaram maior exposição a acidentes graves e outros tipos de sinistro. Por isso, em determinadas combinações de idade, veículo e localidade, o preço pode ser maior.

Um homem de 40 anos, por exemplo, que utiliza o carro apenas nos finais de semana, guarda o veículo em garagem fechada e possui histórico positivo no seguro pode receber uma cotação muito diferente daquela de um motorista jovem que utiliza o automóvel diariamente.

Da mesma maneira, uma mulher jovem que mora em uma região com elevado índice de furtos e utiliza o veículo para trabalhar pode ter uma apólice mais cara.

O que realmente pesa no preço do seguro?

O cálculo costuma envolver uma série de informações sobre o motorista, o veículo e a utilização do automóvel.

Entre os principais fatores estão:

Idade do condutor

A idade é uma das informações relevantes para a avaliação de risco. Motoristas mais jovens, especialmente aqueles com pouca experiência, podem encontrar valores maiores.

Isso ocorre porque determinadas faixas etárias apresentam, estatisticamente, maior frequência de acidentes.

Local onde o carro circula

O endereço também pode fazer uma diferença significativa.

Regiões com maior incidência de furtos, roubos, colisões e outros sinistros podem resultar em seguros mais caros.

Por isso, dois motoristas com o mesmo carro e idade semelhante podem receber preços completamente diferentes simplesmente porque vivem em localidades distintas.

  • Modelo e ano do veículo
  • O próprio carro influencia diretamente o preço.

Veículos mais visados por criminosos, modelos com peças mais caras ou automóveis que apresentam maior custo médio de reparação podem resultar em prêmios mais elevados.

Também entram na análise fatores como valor do veículo, disponibilidade de peças e histórico de sinistros daquele modelo.

Forma de utilização

Não é a mesma coisa utilizar um carro apenas para passeios de fim de semana ou diariamente para trabalhar.

Quem roda mais quilômetros fica, naturalmente, mais exposto a situações de trânsito.

A Susep explica que o perfil de utilização deve ser considerado na escolha do produto e destaca que existem modalidades de seguro que podem considerar, inclusive, a quilometragem rodada.

Local onde o carro fica estacionado

O local de pernoite também pode influenciar a avaliação.

Um veículo que permanece durante a noite em uma garagem fechada pode apresentar exposição diferente de outro que fica regularmente estacionado na rua.

Histórico do motorista

O histórico de sinistros e a experiência anterior com seguro também podem influenciar a cotação.

Por isso, não basta comparar apenas "homem x mulher". É necessário observar o conjunto completo de informações utilizadas na proposta.

Seguro mais barato para mulher não significa que todos os homens pagarão mais

Esse é um dos principais cuidados que o consumidor deve ter.

Uma cotação não pode ser resumida simplesmente ao gênero do motorista.

  • Imagine dois consumidores com o mesmo modelo de carro:
  • Homem, 45 anos, casado, garagem fechada e uso eventual;
  • Mulher, 23 anos, recém-habilitada, uso diário e veículo estacionado na rua.

Mesmo sendo uma mulher, o segundo perfil pode representar maior risco para determinada seguradora.

O contrário também pode acontecer.

Uma mulher experiente, com histórico positivo e utilização limitada do veículo pode conseguir uma cotação bastante competitiva.

Por isso, o preço final é resultado da combinação de vários fatores.

O seguro auto está ficando mais caro?

O mercado de seguros de automóveis continua relevante no Brasil.

Segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep), o seguro auto movimentou R$ 25,41 bilhões em prêmios nos cinco primeiros meses de 2026, crescimento nominal de 5,82% em relação ao mesmo período de 2025. Descontada a inflação, o avanço real foi de 1,48%.

No primeiro trimestre de 2026, o segmento já havia registrado R$ 15,08 bilhões em prêmios, com crescimento nominal de 6,13% e crescimento real de 1,87% na comparação anual.

Os números mostram que o seguro automóvel segue movimentando bilhões de reais e que a procura pela proteção permanece significativa.

Por que duas seguradoras podem cobrar valores diferentes?

Essa é outra situação bastante comum.

O consumidor pode fazer uma cotação e encontrar preços diferentes para exatamente o mesmo carro.

Isso acontece porque cada empresa possui seus próprios critérios de aceitação, modelos estatísticos, coberturas, franquias e estratégias comerciais.

Além disso, uma apólice com cobertura mais ampla naturalmente pode apresentar preço diferente de uma opção mais básica.

Por isso, comparar apenas o valor final pode ser um erro.

É importante observar:

  • cobertura para colisão;
  • roubo e furto;
  • danos a terceiros;
  • assistência 24 horas;
  • carro reserva;
  • cobertura de vidros;
  • valor da franquia;
  • limite de indenização;
  • condições para utilização do veículo.

Um seguro aparentemente mais barato pode oferecer uma proteção menor.

Como economizar no seguro do carro

Quem deseja reduzir o valor da apólice pode começar fazendo uma comparação entre diferentes seguradoras e modalidades.

Também é importante fornecer informações verdadeiras durante a contratação.

Alterar artificialmente o endereço de pernoite, informar um condutor principal diferente ou omitir a utilização profissional do veículo pode trazer problemas posteriormente, principalmente em caso de sinistro.

A Susep orienta o consumidor a considerar seu perfil de utilização e procurar orientação adequada antes de escolher o produto. A autarquia também disponibiliza informações para consulta de empresas autorizadas a atuar no mercado.

Outra alternativa é verificar se existe uma modalidade de seguro adequada à quantidade de quilômetros percorridos.

Para quem utiliza pouco o automóvel, determinados produtos podem apresentar vantagens em relação a um seguro tradicional, dependendo das condições oferecidas.

Cuidado com a chamada "proteção veicular"

Outro ponto importante é não confundir automaticamente proteção veicular com seguro.

A Susep alerta que existem associações e cooperativas que comercializam produtos semelhantes a seguros sem serem autorizadas pela autarquia como seguradoras.

Antes de contratar, o consumidor deve verificar se a empresa está devidamente autorizada e conhecer as condições do produto.

A própria Susep disponibiliza um sistema de consulta de seguros para que o cidadão possa verificar registros vinculados ao seu CPF e conferir informações relacionadas a seguros emitidos por empresas autorizadas.

Afinal, quem paga menos: homens ou mulheres?

A resposta mais correta é: depende do perfil.

Embora exista um histórico de preços mais baixos para determinadas motoristas mulheres, as cotações recentes mostram que essa diferença não é fixa.

Em determinados veículos e perfis, mulheres podem pagar menos. Em outros, podem pagar mais. Também existem situações em que praticamente não há diferença relevante.

O consumidor, portanto, não deve escolher um carro ou contratar uma apólice baseado apenas na ideia de que determinado sexo sempre terá vantagem.

O que realmente importa é o conjunto de características analisadas pela seguradora.

Conclusão

A ideia de que mulheres sempre pagam menos pelo seguro do carro ficou ultrapassada.

O mercado de seguros evoluiu, os critérios de precificação ficaram mais sofisticados e o preço passou a refletir uma combinação cada vez maior de informações sobre motorista, veículo, localização e utilização.

Em 2026, as diferenças entre homens e mulheres continuam existindo em determinadas cotações, mas não podem ser generalizadas.

Para o consumidor, a melhor estratégia continua sendo a mais tradicional: pesquisar, comparar as coberturas, conferir a reputação da seguradora e ler atentamente as condições antes de assinar o contrato.

Afinal, quando o assunto é seguro de automóvel, o menor preço nem sempre representa o melhor negócio. O ideal é encontrar o equilíbrio entre preço, cobertura e segurança.

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