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| Foto: Divulgação / Nissan |
O Nissan Kicks se tornou um dos SUVs compactos mais vendidos do Brasil desde seu lançamento, conquistando espaço graças ao design moderno, ao bom espaço interno e ao consumo competitivo para a categoria.
Produzido na fábrica de Resende, no Rio de Janeiro, o modelo equipa o motor 1.6 flex e, na maioria das versões, o câmbio automático CVT Xtronic — um combo que agrada no dia a dia, mas que, como qualquer carro, começa a exigir mais atenção conforme a quilometragem sobe.
Depois dos 100 mil quilômetros rodados, alguns componentes do Kicks tendem a apresentar desgaste ou falhas recorrentes, principalmente quando a manutenção preventiva não foi seguida à risca. Neste artigo, vamos detalhar os problemas mais reportados por proprietários e mecânicos especializados na marca, para que você saiba exatamente o que verificar antes de comprar um Kicks usado ou o que priorizar se você já é dono de um modelo com quilometragem alta.
1. Câmbio CVT: o ponto mais sensível do Kicks
Sem dúvida, o item que mais gera dúvidas e reclamações entre os donos de Nissan Kicks é o câmbio automático CVT (Continuously Variable Transmission), fabricado pela Jatco. Diferente das transmissões automáticas convencionais, o CVT não trabalha com marchas fixas, e sim com um sistema de polias e correia que varia a relação de transmissão de forma contínua.
Esse tipo de câmbio é excelente para suavidade e economia de combustível, mas exige manutenção rigorosa do fluido. Depois dos 100 mil km, é comum aparecerem os seguintes sintomas:
- Efeito "elástico" na aceleração: sensação de que o motor acelera, mas o carro demora para responder de forma proporcional.
- Ruído de apito ou zunido, principalmente em rotações mais altas ou em subidas.
- Trancos leves ao sair do "Parking" para "Drive" ou "Reverse".
- Em casos mais graves, perda de força ou até travamento momentâneo da transmissão.
A causa mais comum não é um defeito de fábrica isolado, mas sim a falta de troca do fluido CVT no intervalo correto. Muitos proprietários acreditam que esse câmbio é "selado para a vida útil do carro", o que é um mito perigoso. Especialistas recomendam a troca do fluido a cada 40 a 60 mil km em uso urbano intenso, e a Nissan indica no manual a troca aos 100 mil km em uso normal — mas antecipar esse cuidado evita desgaste prematuro das polias e da correia interna.
Dica prática: se você está comprando um Kicks usado com mais de 100 mil km, exija o comprovante de troca do fluido do câmbio. Um CVT sem manutenção pode custar entre R$ 8 mil e R$ 15 mil para reparo ou substituição completa, dependendo da gravidade do dano.
2. Suspensão: ruídos nos coxins e buchas
A suspensão do Nissan Kicks é outro ponto que costuma "dar as caras" depois dos 100 mil quilômetros, especialmente em quem roda bastante em vias esburacadas ou com lombadas mal sinalizadas — realidade comum em boa parte das cidades brasileiras.
Os componentes mais afetados são:
- Coxins superiores dos amortecedores dianteiros, que costumam gerar ruído de "estalo" seco em buracos ou lombadas.
- Buchas das bandejas dianteiras, que quando desgastadas causam folga na direção e ruídos ao passar por irregularidades.
- Bieletas da barra estabilizadora, responsáveis por um barulho de "tec-tec" característico em velocidades baixas.
Na maioria dos casos, um reaperto dos componentes já reduz o incômodo, mas com o carro passando dos 100 mil km, é comum que seja necessária a substituição completa dessas peças. A boa notícia é que, mecanicamente, são reparos relativamente simples e com peças de custo moderado, girando entre R$ 150 e R$ 600 por item, dependendo da marca da peça (original ou paralela) e da região.
3. Caixa de direção: o defeito recorrente que preocupa
Um dos problemas mais comentados entre proprietários do Nissan Kicks é o desgaste prematuro da caixa de direção, mais especificamente da bucha interna da cremalheira. Esse é um defeito que já foi relatado inclusive em unidades com quilometragem relativamente baixa (40 a 50 mil km), o que reforça que, depois dos 100 mil km, a chance de o problema aparecer é ainda maior caso ainda não tenha sido resolvido.
Os sintomas mais comuns são:
- Ruído de "batida seca" na dianteira ao passar por buracos, paralelepípedos ou lombadas.
- Barulho mais perceptível em curvas de baixa velocidade, como em manobras de estacionamento.
- Em alguns casos, leve folga perceptível no volante.
Esse é um problema que a Nissan já reconheceu publicamente em alguns casos, resolvendo a substituição da peça dentro da garantia ou por meio de campanhas específicas. Se o seu Kicks já passou dos 100 mil km e nunca apresentou esse ruído, vale a pena fazer uma inspeção preventiva, já que, quando identificado cedo, o reparo é mais barato do que quando a caixa de direção inteira precisa ser trocada.
4. Correia e componentes do motor 1.6 flex
O motor 1.6 litros flex do Kicks é reconhecido por sua robustez, mas alguns cuidados específicos precisam ser respeitados após os 100 mil quilômetros:
- Correia dentada e tensionadores: dependendo da versão do motor, o intervalo de troca da correia dentada gira entre 60 mil e 100 mil km. Ignorar esse prazo é um dos erros mais graves que um proprietário pode cometer, já que a ruptura da correia pode causar dano severo ao motor (empeno de válvulas), com custo de reparo que pode ultrapassar R$ 5 mil.
- Velas de ignição: como o motor trabalha com álcool e gasolina, o desgaste das velas tende a ser mais acelerado. Recomenda-se a troca entre 40 e 60 mil km, e depois dos 100 mil km é comum notar falhas leves de combustão, marcha lenta irregular ou aumento no consumo se essa manutenção não foi feita.
- Bicos injetores: o uso prolongado de etanol de qualidade duvidosa pode acelerar o entupimento dos bicos injetores, gerando perda de potência e consumo mais alto.
Fazer as revisões programadas dentro dos intervalos corretos é o fator mais determinante para que o motor do Kicks chegue aos 150 ou 200 mil km sem grandes surpresas.
5. Sistema elétrico e multimídia
Outro ponto de atenção em unidades mais rodadas do Nissan Kicks está no sistema elétrico e nos módulos eletrônicos do veículo, especialmente nas versões mais completas com central multimídia touchscreen, câmera de ré e sensores de estacionamento.
Os problemas mais reportados incluem:
- Travamentos ou reinicializações da central multimídia, exigindo atualização de software ou, em casos mais graves, substituição do módulo.
- Falhas nos sensores de estacionamento, que podem apitar sem necessidade ou parar de funcionar completamente.
- Problemas na bateria auxiliar de 12V, especialmente em carros que ficam parados por longos períodos, já que os módulos eletrônicos do Kicks consomem energia mesmo com o carro desligado.
Esses problemas, embora incômodos, raramente comprometem a segurança ou a mecânica do carro, mas podem gerar custos de manutenção corretiva se não forem tratados com atenção.
6. Ar-condicionado
Com o passar dos anos e da quilometragem, é comum que o sistema de ar-condicionado do Kicks perca eficiência. Os problemas mais frequentes relatados por oficinas especializadas são:
- Vazamento de gás no condensador, geralmente causado por pequenas pedras ou detritos que danificam as aletas do radiador do ar.
- Ruído do compressor quando o óleo do sistema está baixo.
- Mau cheiro na saída de ar, sinal de que o filtro de cabine (e, em alguns casos, o evaporador) precisa de limpeza ou substituição.
A recomendação geral é fazer a higienização do sistema e a troca do filtro de cabine a cada 10 mil km, e verificar o nível de gás uma vez por ano, principalmente antes do verão.
7. Freios e pastilhas
Apesar de não ser um "defeito" propriamente dito, o sistema de freios do Kicks é um item de desgaste natural que precisa de atenção redobrada depois dos 100 mil km. Como o SUV é relativamente pesado para a categoria (por volta de 1,2 tonelada), o desgaste de pastilhas e discos costuma ser um pouco mais acelerado do que em hatches compactos.
Fique atento a:
- Ruído de "grilo" ou chiado ao frear, sinal de que as pastilhas estão no limite.
- Trepidação no volante ao frear em velocidades mais altas, indício de discos empenados.
- Pedal de freio "esponjoso", que pode indicar ar no sistema hidráulico ou necessidade de troca do fluido de freio (recomendada a cada 2 anos, independentemente da quilometragem).
Vale a pena comprar um Nissan Kicks com mais de 100 mil km?
A resposta é sim, desde que a manutenção preventiva tenha sido respeitada. O Kicks não é um carro com defeitos crônicos graves como os que às vezes aparecem em outros modelos do segmento — a maior parte dos problemas listados aqui está diretamente ligada à falta de manutenção, principalmente no câmbio CVT, e não a falhas estruturais do projeto.
Antes de fechar negócio com um Kicks usado, o ideal é:
- Pedir o histórico completo de revisões, com atenção especial à troca do fluido do CVT.
- Fazer um test-drive prestando atenção a ruídos na suspensão e na direção, principalmente em baixa velocidade e sobre irregularidades.
- Verificar o funcionamento completo da central multimídia, sensores e câmera de ré.
- Levar o carro a uma inspeção com um mecânico de confiança, de preferência especializado em Nissan, antes da compra.
Com esses cuidados, o Nissan Kicks tem tudo para ser um SUV compacto confiável mesmo depois dos 100 mil quilômetros, entregando ainda muitos anos de uso sem grandes dores de cabeça para o proprietário.

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