| Foto: Divulgação/ Autoesporte |
A possibilidade ganhou força a partir de declarações de Fabrice Cambolive, CEO da Renault, que reconheceu a necessidade de a fabricante explorar com mais atenção o segmento de veículos elétricos compactos e acessíveis.
Entre as alternativas avaliadas está o aproveitamento de tecnologias e plataformas desenvolvidas pela Geely, incluindo a arquitetura utilizada pelo Geely EX2, modelo que chama atenção justamente pela proposta de oferecer mobilidade elétrica em um pacote compacto e mais acessível.
A estratégia faria sentido em um momento no qual as montadoras tradicionais precisam encontrar maneiras de reduzir o custo de produção dos elétricos para competir com fabricantes chinesas, que avançaram rapidamente nesse mercado.
Por que a Renault precisa de um elétrico mais barato?
A eletrificação do mercado automotivo não acontece apenas entre SUVs médios, sedãs sofisticados e modelos premium. Existe também uma demanda crescente por carros pequenos destinados principalmente ao uso urbano.
Esse segmento é especialmente importante porque veículos compactos possuem características que combinam naturalmente com a mobilidade elétrica.
Eles são menores, mais leves, normalmente percorrem distâncias menores no uso cotidiano e podem utilizar baterias de menor capacidade. Consequentemente, o custo de produção pode ser reduzido.
Para a Renault, desenvolver um carro elétrico compacto e competitivo poderia representar uma oportunidade de conquistar consumidores que ainda consideram os elétricos caros demais.
O desafio, entretanto, é conseguir atingir um preço realmente competitivo sem abrir mão de equipamentos, segurança, autonomia e qualidade.
É justamente nesse ponto que uma eventual cooperação tecnológica com a Geely poderia fazer diferença.
Geely EX2 entra no radar
O Geely EX2 representa uma filosofia diferente daquela encontrada em muitos carros elétricos atuais. Em vez de apostar exclusivamente em veículos grandes e sofisticados, a fabricante chinesa trabalha também com modelos compactos voltados para a utilização cotidiana.
A possibilidade de utilizar uma plataforma já desenvolvida permitiria à Renault reduzir parte do tempo e dos investimentos necessários para colocar um novo elétrico no mercado.
Em vez de começar um projeto completamente do zero, a fabricante poderia adaptar uma arquitetura existente às suas necessidades, ao mercado local e aos padrões de engenharia e segurança da marca.
Essa estratégia não seria necessariamente uma simples troca de logotipo. Uma eventual utilização da tecnologia da Geely poderia resultar em um projeto adaptado pela Renault, com alterações no design, interior, calibração, equipamentos e posicionamento comercial.
Um elétrico nacional faria diferença
Produzir um veículo elétrico no Brasil pode trazer vantagens importantes para a Renault.
A fabricação local permite reduzir a dependência de importações e pode facilitar a adequação do veículo às características do mercado brasileiro.
Além disso, a produção nacional pode ajudar a empresa a trabalhar com preços mais competitivos, principalmente quando são considerados custos logísticos, impostos e variações cambiais.
Outro ponto importante é a expansão da infraestrutura industrial necessária para a eletrificação.
A chegada de um modelo elétrico produzido no país também poderia estimular fornecedores brasileiros a ampliar sua participação na cadeia de componentes relacionados à mobilidade elétrica.
Para o consumidor, o principal benefício seria a possibilidade de encontrar um carro elétrico compacto com preço mais próximo daquele praticado pelos modelos de entrada com motores a combustão.
Renault e Geely já possuem aproximação
A possibilidade de utilizar tecnologias da Geely não surge do nada.
As duas empresas já possuem aproximações estratégicas e interesses no desenvolvimento de soluções para o setor automotivo. A Renault, por sua vez, vem reorganizando sua estratégia global para conseguir competir em um mercado que passa por uma transformação acelerada.
A Geely se tornou uma das empresas chinesas mais importantes do setor automotivo e possui experiência no desenvolvimento de plataformas, motores elétricos, baterias e sistemas eletrônicos.
Essa combinação pode ser interessante para a Renault.
De um lado, está uma fabricante tradicional, com décadas de experiência em mercados internacionais, forte presença industrial e conhecimento das necessidades de diferentes consumidores.
Do outro, uma empresa chinesa que avançou rapidamente no desenvolvimento de veículos eletrificados e conseguiu trabalhar com estruturas de produção altamente competitivas.
Um possível rival para os elétricos compactos
Caso um projeto desse tipo avance, um Renault elétrico compacto poderia entrar em uma categoria bastante disputada.
Os carros elétricos pequenos têm como principais argumentos o baixo custo de utilização, a praticidade no trânsito urbano e a redução das despesas relacionadas ao consumo de energia e manutenção.
Um modelo nacional também poderia ganhar força entre consumidores que utilizam o carro principalmente para deslocamentos urbanos.
Imagine, por exemplo, um veículo utilizado diariamente para trabalhar, estudar, fazer compras e realizar pequenos trajetos. Nessas situações, um carro compacto com autonomia suficiente para a rotina poderia atender perfeitamente às necessidades do proprietário.
A Renault teria ainda a vantagem de poder aproveitar sua rede de concessionárias e sua estrutura de pós-venda já estabelecida no Brasil.
O preço será o grande desafio
Apesar das possibilidades, existe um obstáculo importante: o preço.
Produzir um carro elétrico mais barato não significa simplesmente instalar uma bateria pequena em um veículo compacto.
A bateria continua sendo um dos componentes mais relevantes no custo de um automóvel elétrico. Além dela, existem motores elétricos, sistemas eletrônicos de controle, carregador embarcado e diversos componentes específicos.
Por isso, uma eventual estratégia baseada em uma plataforma já existente pode ajudar a reduzir custos de desenvolvimento e produção.
Quanto maior for a escala de fabricação, maior também será a possibilidade de diluir investimentos e tornar o produto mais competitivo.
É justamente por isso que a Renault poderia enxergar na tecnologia da Geely uma alternativa interessante.
Plataforma compartilhada pode acelerar o projeto
Uma das maiores vantagens de utilizar uma arquitetura já desenvolvida é a possibilidade de acelerar o lançamento.
Criar uma nova plataforma exige anos de engenharia, testes, validações e investimentos.
Quando uma montadora consegue partir de uma arquitetura existente, parte desse trabalho pode ser aproveitada.
Isso não significa que o desenvolvimento seja simples. Um eventual Renault elétrico produzido no Brasil ainda precisaria passar por adequações técnicas, testes de segurança, homologação e ajustes para atender às características do mercado nacional.
Mas o caminho poderia ser significativamente mais rápido do que desenvolver uma plataforma totalmente nova.
Um Renault elétrico com identidade própria
Se a parceria avançar, o consumidor provavelmente esperaria que o veículo tivesse identidade Renault.
A marca poderia trabalhar em um design próprio, seguindo sua atual linguagem visual, além de desenvolver um interior específico.
Também seria possível adaptar suspensão, direção e calibração eletrônica para as condições encontradas nas ruas brasileiras.
Esse tipo de estratégia já é comum na indústria automotiva global. Plataformas e tecnologias podem ser compartilhadas entre empresas, enquanto cada marca mantém características próprias em seus produtos.
O resultado poderia ser um veículo com tecnologia de origem compartilhada, mas com personalidade Renault.
O consumidor brasileiro seria beneficiado
Independentemente de qual seja a solução escolhida pela fabricante, a movimentação da Renault pode ser positiva para o mercado brasileiro.
A entrada de mais concorrentes no segmento de elétricos compactos aumenta a pressão para que as fabricantes ofereçam melhores produtos e preços.
A competição também pode contribuir para acelerar a evolução tecnológica.
Baterias mais eficientes, sistemas de carregamento melhores, maior autonomia e redução dos custos de produção são fatores que podem beneficiar o consumidor ao longo do tempo.
Além disso, a popularização dos elétricos depende justamente da chegada de modelos que ultrapassem o nicho dos consumidores dispostos a pagar mais por tecnologia.
Renault pode apostar no elétrico de massa
O futuro da mobilidade elétrica não será formado apenas por veículos caros.
Para que os carros elétricos realmente se tornem populares, será necessário oferecer alternativas compactas, eficientes e acessíveis.
É nesse cenário que a possibilidade de a Renault utilizar uma plataforma relacionada ao Geely EX2 ganha relevância.
A fabricante francesa já possui presença consolidada no Brasil e uma estrutura industrial capaz de produzir veículos em grande escala. Se conseguir combinar essa capacidade com uma tecnologia elétrica competitiva, poderá criar um produto interessante para o mercado nacional.
O projeto ainda dependeria de decisões estratégicas, industriais e comerciais antes de chegar às ruas. Portanto, não se trata de considerar o lançamento como garantido.
Mas a discussão mostra uma mudança importante na indústria: as montadoras tradicionais estão cada vez mais dispostas a buscar parcerias para acelerar a eletrificação e reduzir o custo dos veículos.
O que esperar do possível elétrico da Renault?
Caso a ideia avance, alguns pontos serão fundamentais para determinar o sucesso do projeto:
- preço competitivo;
- autonomia adequada para o uso urbano;
- bateria de capacidade compatível com a proposta;
- boa eficiência energética;
- manutenção simplificada;
- ampla disponibilidade de peças;
- rede de assistência preparada para veículos elétricos;
- carregamento rápido;
- bom nível de segurança;
- produção nacional em escala.
Se esses fatores forem combinados, a Renault poderá entrar em uma faixa do mercado que ainda possui enorme potencial de crescimento.
Mais do que lançar outro carro elétrico, a empresa teria a oportunidade de criar um modelo pensado para popularizar a tecnologia.
Uma possível nova fase para os carros elétricos no Brasil
A eventual aproximação entre Renault e Geely mostra como o setor automotivo está mudando.
Durante décadas, as grandes montadoras desenvolveram praticamente toda a tecnologia internamente. Hoje, a velocidade da transformação tecnológica tornou as parcerias estratégicas cada vez mais importantes.
Para o Brasil, isso pode representar uma oportunidade.
O país possui uma indústria automotiva consolidada, mercado consumidor expressivo e capacidade para produzir veículos em grande escala. Ao mesmo tempo, ainda existe espaço para ampliar a oferta de carros elétricos mais acessíveis.
Um eventual Renault elétrico nacional baseado em uma plataforma desenvolvida pela Geely poderia justamente ocupar esse espaço.
Ainda é cedo para afirmar como seria o modelo, qual seria sua autonomia ou quanto custaria. Porém, a ideia de utilizar uma arquitetura já existente mostra que a Renault está olhando para uma questão central do futuro automotivo: como tornar o carro elétrico mais acessível ao consumidor comum.
Se a estratégia der certo, poderemos ver nos próximos anos uma nova geração de compactos elétricos fabricados no Brasil, com preços mais competitivos e tecnologia cada vez mais presente no dia a dia dos motoristas.
