O Fiat Argo é Bom Para Carro de Aplicativo 99?

Foto: Reprodução / Fiat

Quem pensa em trabalhar com aplicativos de transporte costuma fazer a mesma pergunta antes de assinar o financiamento: qual carro dá mais retorno? O Fiat Argo aparece em quase toda lista de modelos aceitos pela 99. Ele é hatch compacto, tem manutenção conhecida e uma rede de peças enorme. Mas ser aceito pelo aplicativo não quer dizer que o carro seja a melhor escolha para o seu bolso. 

Neste artigo, o Auto ND1 analisa o Argo sob os critérios que importam a quem vive de corrida: custo por quilômetro, conforto do passageiro, durabilidade, manutenção, categoria aceita e revenda.

O que a 99 exige do carro

Antes de falar do Argo, vale lembrar as regras do jogo. Os requisitos básicos incluem quatro portas, bom estado de conservação e CRLV em dia. Outras fontes do setor acrescentam que o veículo deve ser recente (geralmente com até dez anos de fabricação), ter ar-condicionado em bom funcionamento e documentação regularizada.

O ponto de atenção é o ano mínimo, que varia por praça. Uma cidade pode aceitar carros mais antigos que outra, e as regras mudam com o tempo. Antes de comprar, abra o cadastro de veículo no aplicativo, escolha sua cidade e confira a exigência atual. Também vale lembrar que o limite costuma considerar o ano de fabricação, não o ano-modelo. Um Argo 2018 pode ter sido fabricado em 2017.

O Argo é hatch de quatro portas e sai de fábrica com ar-condicionado em praticamente todas as versões. Ele cumpre os requisitos básicos sem dificuldade e costuma aparecer entre os modelos que atendem às exigências da 99Pop quando bem conservados.

Qual categoria o Argo atende

Este é um detalhe que muita gente descobre tarde. Por ser hatch, o Argo roda com tranquilidade na categoria de entrada, a 99Pop. Já as categorias superiores, como a 99Plus e a 99Comfort, costumam exigir mais espaço interno, porta-malas maior ou um nível maior de acabamento. Os sedãs compactos levam vantagem nesse ponto. As regras variam por cidade e mudam com o tempo, então confirme no próprio app se o seu Argo, naquele ano e versão, é aceito em alguma categoria acima da Pop.

Na prática, quem compra o Argo deve contar com a 99Pop como principal fonte de corridas. Isso não é um defeito, porque a Pop concentra a maior parte da demanda. Mas é bom saber que o carro não vai abrir as portas das categorias que pagam um pouco mais por quilômetro rodado.

Motorização: qual Argo escolher para trabalhar

O Argo foi lançado em 2017 e passou por várias combinações de motor e câmbio ao longo dos anos. Para o motorista de aplicativo, a escolha pesa muito no resultado do mês.

Argo 1.0 (Firefly, 3 cilindros)

É a configuração mais comum e, para quem roda no trânsito urbano, geralmente a mais sensata. O motor 1.0 Firefly é moderno, leve e tem consumo competitivo. A reposta em velocidades urbanas é suficiente, e o custo de manutenção é baixo. O ponto fraco aparece em estrada cheia, com quatro pessoas e ar ligado, quando o motor trabalha mais e o consumo sobe. Para o uso típico de 99 dentro da cidade, ele costuma ser o melhor equilíbrio entre preço de compra, consumo e manutenção.

Argo 1.3 (Firefly, 4 cilindros)

É mais forte e mais suave, e responde melhor em subidas e ultrapassagens. A contrapartida é um consumo um pouco maior e um preço de compra mais alto. Para quem roda em cidades com muitas ladeiras, ou faz corridas longas com frequência, pode valer a diferença. Quem trabalha em região plana normalmente não sente que precisa dele.

Argo 1.8 (E.torQ)

Foi oferecido nas versões esportivas das primeiras safras e é o mais potente da linha. Para aplicativo, não é a melhor escolha. O consumo é mais alto, o carro é mais caro de comprar e a esportividade não rende nada na corrida.

Câmbio manual, automatizado ou CVT

O câmbio manual de cinco marchas é o preferido de muita gente que vive de aplicativo, por ser simples, barato de consertar e econômico. Em corridas com muito trânsito, porém, ele cansa a perna esquerda ao longo de dez horas de trabalho.

O Argo também teve versões com câmbio automatizado (Dualogic, no motor 1.3 das primeiras safras) e, mais recentemente, com CVT. O automatizado merece cautela. Ele é conhecido por trocas lentas e, em unidades mal conservadas, por falhas que geram conserto caro. Se for comprar usado, desconfie de versões automatizadas rodadas e exija histórico de manutenção. O CVT é mais confortável, mas costuma custar mais para comprar e exige que a troca do fluido seja feita no prazo recomendado.

Consumo: o fator que decide o lucro

No aplicativo, o combustível costuma ser a maior despesa do dia. Nesse quesito, o Argo 1.0 se destaca entre os hatches compactos. Pelos dados do Inmetro, as versões 1.0 ficam na faixa dos 13 a 14 km/l na cidade com gasolina, e algo próximo disso na estrada. Com etanol, a média cai e fica em torno de 9 a 10 km/l. Esses números variam conforme a versão e o ano, então vale consultar a tabela do Inmetro para o modelo específico que você pretende comprar.

No uso real, o resultado depende do trânsito, do estilo de direção e do ar-condicionado ligado. Motoristas que rodam em cidade costumam ver números mais baixos que os de laboratório. Mesmo assim, o Argo 1.0 está entre os mais econômicos da categoria.

Uma dica prática: o tanque de 48 litros dá boa autonomia. Com gasolina, é possível rodar bastante antes de reabastecer, o que reduz paradas durante o expediente.

Conforto para o passageiro

Aqui o Argo tem pontos fortes e fracos. Os assentos dianteiros são confortáveis e a posição de dirigir é boa para jornadas longas. O ar-condicionado costuma ser eficiente. O painel e a multimídia, nas versões mais novas, passam uma imagem moderna, o que ajuda na avaliação do passageiro.

O ponto fraco é o banco traseiro. Para dois adultos, o espaço é razoável. Para três, fica apertado, principalmente nos ombros. Quem faz corridas com famílias ou grupos pode sentir isso. O porta-malas tem cerca de 300 litros, que é suficiente para malas pequenas e compras do dia a dia, mas limita quem pega passageiros de aeroporto com bagagem volumosa.

Como a nota do passageiro afeta o acesso a corridas, vale investir em limpeza, no cheiro do carro e em pequenos mimos, como água e carregador. O Argo é um carro que, bem cuidado, passa boa impressão.

Manutenção e custo de peças

Um dos maiores trunfos do Argo é a facilidade de manutenção. A Fiat tem rede de concessionárias em quase todo o país, e as peças são encontradas com facilidade tanto em autopeças quanto na internet. Há grande oferta de peças originais, genéricas e de reposição, com preços competitivos.

As revisões seguem o plano da montadora, com intervalos em torno de 10 mil km ou 12 meses, o que vier primeiro. Quem roda muito, como é o caso do motorista de aplicativo, atinge o intervalo de quilometragem muito antes do prazo. Por isso, a troca de óleo e filtros precisa ser feita com frequência. Economizar nesse item é a forma mais rápida de encurtar a vida do motor.

Alguns desgastes costumam aparecer em carros usados intensamente em cidade:

  • Suspensão dianteira: buchas, bieletas e pivôs sofrem com buracos e lombadas.
  • Pastilhas e discos de freio: o trânsito pesado consome rápido.
  • Embreagem: nos manuais, o desgaste vem mais cedo em quem dirige muito no pará e anda.
  • Multimídia e itens elétricos: podem apresentar falhas pontuais, principalmente em unidades mais rodadas.

Nada disso é exclusivo do Argo. São desgastes naturais de qualquer carro usado intensamente. O importante é que o custo de reparo costuma ficar abaixo da média do mercado, o que é decisivo para quem não pode ficar parado.

Durabilidade

Os motores Firefly têm projeto mais recente e foram desenvolvidos para eficiência. Em geral, quando recebem manutenção em dia e óleo adequado, aguentam rodar muitos quilômetros. Há relatos de motoristas de aplicativo com Argos acima de 150 mil km sem grandes problemas, mas, como em qualquer carro, o histórico de cuidado faz toda a diferença.

Se você pretende comprar um Argo usado que já rodou como aplicativo, redobre a atenção. Peça notas de revisão, verifique o estado do câmbio, da embreagem e da suspensão, e passe o veículo por uma boa inspeção antes de fechar negócio. Um carro que rodou 100 mil km em dois anos tem desgaste muito diferente de um que rodou o mesmo em seis.

Custo total: IPVA, seguro e depreciação

Além de combustível e manutenção, entram na conta o IPVA, o seguro e a desvalorização.

O IPVA depende do estado onde o carro é emplacado. Em geral, fica entre 2% e 4% do valor da tabela Fipe. No Rio de Janeiro, por exemplo, a alíquota para carros flex costuma ficar em torno de 4%. Vale consultar a legislação do seu estado.

O seguro de um hatch compacto como o Argo costuma ser mais barato que o de sedãs e SUVs. Mas quem trabalha com aplicativo precisa avisar à seguradora sobre o uso profissional, porque muitas apólices comuns não cobrem esse tipo de atividade. Há seguros específicos para motoristas de aplicativo, que podem custar mais, mas evitam a recusa de indenização.

Quanto à depreciação, o Argo tem boa liquidez. É um carro conhecido, procurado no mercado de usados e fácil de revender, principalmente as versões 1.0 manuais. Isso reduz o risco do investimento. Como regra, carros populares perdem valor ao longo dos anos, e quem roda muito perde mais por conta da quilometragem. Planeje a troca antes que o carro passe da faixa de idade permitida pela 99 na sua cidade.

Comparação rápida com concorrentes

O Argo compete com outros hatches compactos, como o Chevrolet Onix, o Hyundai HB20 e o Volkswagen Polo. Também concorre com os sedãs de entrada, que oferecem porta-malas maior e acesso a mais categorias, como o Fiat Cronos, o Onix Plus e o HB20S.

Contra os hatches rivais, o Argo se destaca pelo bom custo-benefício, pelo consumo e pela facilidade de manutenção. Contra os sedãs, perde em espaço de bagagem e em acesso a categorias superiores, mas ganha em preço de compra, que costuma ser menor, e em agilidade no trânsito urbano. Quem prioriza o menor custo inicial e roda principalmente na 99Pop encontra no Argo uma opção bem equilibrada.

Vantagens e desvantagens

Pontos fortes

  • Consumo baixo na versão 1.0
  • Manutenção barata e peças fáceis de encontrar
  • Boa rede de assistência da Fiat
  • Aceito pela 99Pop, desde que dentro do ano exigido na sua cidade
  • Boa liquidez na revenda
  • Visual moderno e bom conforto para motorista e passageiro da frente

Pontos fracos

  • Banco traseiro apertado para três adultos
  • Porta-malas limitado para bagagens grandes
  • Dificuldade de acesso a categorias superiores por ser hatch
  • Câmbio automatizado das primeiras safras merece cautela
  • Motor 1.0 sofre mais em estrada carregada

Veredito: vale a pena?

Sim, o Fiat Argo é uma boa opção para quem quer trabalhar na 99, especialmente na versão 1.0 com câmbio manual ou CVT em bom estado. Ele entrega o que o motorista de aplicativo mais precisa: baixo custo por quilômetro, manutenção acessível e boa revenda. Para quem roda principalmente dentro da cidade, atendendo na 99Pop, é difícil encontrar um hatch com equilíbrio melhor entre preço, consumo e durabilidade.

Ele não é a melhor escolha para quem pretende focar em categorias superiores ou transportar muitas bagagens, caso em que um sedan compacto faz mais sentido. E exige cuidado na compra do usado, principalmente em exemplares com muito uso de aplicativo e histórico de manutenção duvidoso.

Antes de fechar negócio, confira três coisas: o ano de fabricação permitido pela 99 na sua cidade, a categoria em que aquele Argo específico é aceito e o histórico de revisões do carro. Com esses três pontos checados e uma boa inspeção mecânica, o Argo tem tudo para ser um parceiro de trabalho confiável.

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