As promessas da chamada “Tesla brasileira” parecem não ter fim. A Lecar, marca criada pelo empresário Flávio Figueiredo, quer abrir 150 concessionárias em pouco mais de um ano, mesmo sem ter apresentado um carro real rodando. O plano é ousado — e beira o inacreditável.
Depois de anunciar compra programada dos modelos e parcerias com lojas multimarcas, a empresa agora fala em expansão nacional. A fábrica, segundo Figueiredo, ficará pronta em Sooretama (ES), e os dois primeiros carros — o sedan 459 e a picape Campo — devem chegar até o fim de 2026. Isso, claro, se as promessas saírem do papel.
Carros em parcelas — mas só no papel
A estratégia de vendas da Lecar chamou atenção: os veículos podem ser “comprados” ou reservados em até 72 parcelas sem juros, com mensalidades entre R$ 2.200 e R$ 3.300. O detalhe? Nenhum dos modelos existe de fato. O que há são mockups, ou seja, maquetes — nada de protótipos funcionando ou unidades fabricadas.
Venda de 0 km em lojas de usados
Outra ideia curiosa da marca foi anunciar que venderia seus carros novos em lojas de seminovos. O plano, segundo a empresa, é aproveitar estruturas já existentes e reduzir custos. Cada parceria custaria cerca de R$ 150 mil, valor bem menor do que o necessário para abrir uma concessionária oficial.
A Lecar diz já ter quatro lojas encaminhadas para abrir ainda em 2025 — em São Paulo, São Bernardo do Campo, Marília e Vitória — e mais 90 negociações em andamento.
Treinando “executivos” e vendendo o sonho
Enquanto os carros não aparecem, a empresa investe em um programa de formação de executivos de vendas, com treinamento e capacitação online. Segundo a Lecar, já são 20 profissionais habilitados e 200 em treinamento.
Os interessados podem pagar R$ 160 mil pelos veículos — à vista ou parcelado —, mesmo que a produção ainda dependa da fábrica que segue em fase de homologação.
Promessas em série
Flávio Figueiredo, que chegou a se autointitular “Elon Musk brasileiro”, diz que a Lecar representa “o maior projeto de mobilidade sustentável do país”. No entanto, até agora, o que se vê é muito discurso e pouca estrada.
E você, encararia comprar um carro que ainda nem saiu da maquete?