A BYD deu mais um movimento estratégico que pode reforçar sua posição de liderança no mercado de carros elétricos. Na China, os hatchbacks Dolphin e Dolphin Mini — conhecido localmente como Seagull — passaram a contar com LiDAR, uma tecnologia até então associada a veículos de categorias superiores e a sistemas avançados de assistência à condução.
Ao incorporar o LiDAR em modelos de entrada, a fabricante chinesa deixa claro que pretende usar a tecnologia como diferencial competitivo mesmo fora dos segmentos mais caros, ampliando o nível de sofisticação disponível em carros compactos.
Atualmente, Dolphin e Dolphin Mini utilizam o sistema DiPilot 100, que opera com um conjunto de câmeras, radares de ondas milimétricas e sensores ultrassônicos. Esse pacote já permite recursos como controle de cruzeiro adaptativo, frenagem automática de emergência e assistentes de permanência em faixa.
Com a adoção do LiDAR, os modelos passam a ser compatíveis com o DiPilot 300, um sistema mais avançado. O sensor a laser cria um mapa tridimensional do ambiente ao redor do veículo, proporcionando uma leitura mais precisa de distância, profundidade e formato dos objetos. Na prática, isso aumenta a confiabilidade dos assistentes eletrônicos e amplia sua atuação, especialmente em cenários urbanos mais complexos.
Diferentemente das câmeras, o LiDAR não depende de iluminação para operar de forma eficiente. Em relação aos radares tradicionais, ele se destaca pela maior precisão na identificação do formato dos obstáculos. Essa combinação permite respostas mais rápidas e previsíveis dos sistemas eletrônicos, reduzindo falhas de interpretação.
Nos Dolphin e Seagull vendidos na China, o LiDAR trabalha em conjunto com um processador mais potente, capaz de gerenciar funções como navegação assistida tanto em vias urbanas quanto em rodovias. Embora ainda não represente condução autônoma plena, o avanço é significativo em comparação aos assistentes normalmente disponíveis em carros compactos.
A introdução desse tipo de tecnologia em hatchbacks de entrada é incomum até mesmo no mercado chinês, onde a eletrificação avança em ritmo acelerado. Até recentemente, o LiDAR era restrito a sedãs e SUVs de categorias mais altas.
No Brasil, Dolphin e Dolphin Mini ocupam papel central na estratégia da BYD. Em 2025, os dois modelos lideraram os emplacamentos entre os elétricos, com 21.603 unidades do Dolphin e 13.270 unidades do Dolphin Mini. Ambos são importados da China e já começaram a ser montados na nova fábrica da marca em Camaçari, na Bahia.
O Dolphin, inclusive, passa por um processo de facelift e já roda em testes no País, o que abre espaço para mudanças mais profundas no curto e médio prazo. Embora a adoção do LiDAR no mercado chinês não garanta sua chegada imediata ao Brasil, o movimento indica que, caso a BYD decida trazer essa evolução, poderá ampliar ainda mais sua vantagem no mercado brasileiro de veículos elétricos.
