A Fiat abriu uma discussão que mexe com um tema sensível na Europa: até onde dá para ir para manter os carros pequenos no mercado sem empurrar o preço para um patamar “premium”? A proposta pegou muitos apaixonados por carros de surpresa. Afinal, é justo “podar” eletronicamente a velocidade máxima para reduzir custos?
Quem colocou a ideia em público foi o CEO da marca, Olivier François. Na visão dele, travar o desempenho perto dos limites legais mais comuns poderia aliviar a necessidade de parte do pacote de assistências ao motorista que encareceu os compactos nos últimos anos.
François afirmou que aceitaria ver os city cars limitados a cerca de 118 km/h. “Eu ficaria feliz em limitar os carros urbanos a cerca de 118 km/h”, disse, ao defender que não faz sentido um modelo de uso majoritariamente urbano nascer preparado para correr muito mais do que as estradas permitem.
A leitura é pragmática: se o carro não foi feito para viver de alta velocidade, por que carregar sistemas projetados para cenários de rodovia e velocidades elevadas, com sensores e câmeras cada vez mais sofisticados.
A conta da tecnologia nos modelos de entrada
O executivo foi direto ao apontar o que, segundo ele, empurra os preços para cima. “Tenho dificuldade em entender por que precisamos instalar todo esse hardware caro (câmeras, sensores)”, afirmou.
Ele também estimou o tamanho do salto no bolso. “Tudo isso contribuiu para aumentar o preço médio de um carro urbano em 60% nos últimos cinco ou seis anos”, disse, ao relacionar a alta ao avanço das exigências e do conteúdo embarcado.
Por que o tema explode agora
A discussão acontece num momento em que as regras de segurança na União Europeia apertaram e tornaram as assistências mais presentes nos carros novos. O efeito colateral é conhecido: quanto mais obrigação técnica, mais difícil fica manter um modelo barato, principalmente nos segmentos de entrada.
François ainda provocou ao relativizar o passado recente do segmento. “Não acho que os carros urbanos de 2018 ou 2019 fossem extremamente perigosos”, afirmou, sinalizando que, para ele, existe um descompasso entre o que se exige e o uso real desse tipo de carro.
O ponto em que a polêmica pega
A proposta não é simples, porque mexe com segurança e com liberdade de uso. Carro urbano também pega estrada, faz deslocamento intermunicipal e vira opção de quem quer gastar pouco, mas não abrir mão de viagens curtas.
E, claro, há momentos em que ultrapassar o limite da via não é imprudência, mas questão de segurança (por exemplo, em ultrapassagens)
No fim, a discussão expõe um dilema que já está na mesa de várias marcas: como segurar o preço do carro de entrada quando o pacote de exigências, principalmente os de segurança, encarecem o produto?
