O financiamento de veículos no Brasil atingiu um novo patamar em 2025. Ao longo do ano, 7,3 milhões de veículos foram adquiridos por meio de crédito, o maior volume registrado nos últimos 14 anos, de acordo com dados da B3. O resultado representa uma alta de 2% em relação a 2024 e sinaliza a retomada gradual do crédito no setor automotivo.
O crescimento foi puxado principalmente pelas regiões Nordeste e Norte, que apresentaram avanços de 12,3% e 9,8%, respectivamente. Em termos de volume, porém, o Sudeste manteve a liderança do mercado, concentrando 41,9% de todos os financiamentos realizados no país em 2025.
Os veículos usados continuaram sendo o principal motor desse desempenho. No período, 4,6 milhões de unidades usadas foram financiadas, frente a 2,6 milhões de veículos novos, considerando automóveis leves, pesados e motocicletas. O movimento reforça uma tendência dos últimos anos, em que consumidores, diante dos preços elevados dos modelos zero-quilômetro, optam por seminovos, que oferecem parcelas mais acessíveis e maior diversidade de opções.
Segundo Thiago Gaspar, superintendente de Produtos da B3, este foi o terceiro ano consecutivo de crescimento nas vendas financiadas de veículos no Brasil, evidenciando a importância do crédito para a sustentação do setor automotivo. Ele destaca o papel do Sistema Nacional de Gravames na garantia de segurança jurídica e maior agilidade nas operações de financiamento.
Mesmo com taxas de crescimento mais expressivas no Norte e Nordeste, o Sudeste segue como principal polo de financiamentos, seguido pelo Sul, que respondeu por 20,2% do total. Na sequência aparecem o Nordeste, com 19,5%, o Centro-Oeste, com 10,6%, e o Norte, com 7,9%.
Outro destaque de 2025 foi o financiamento de motocicletas, que alcançou 1,9 milhão de unidades e cresceu 11,3% na comparação com o ano anterior. O avanço reflete tanto a maior utilização das motos para trabalho e deslocamentos urbanos quanto a ampliação da oferta de crédito para esse segmento. São Paulo liderou o volume de financiamentos de motos, com 18%, seguido por Pará, com 7,7%, e Minas Gerais, com 7,5%.
Os dados divulgados pela B3 têm como base o Sistema Nacional de Gravames, a maior base privada do país para o registro de restrições financeiras sobre veículos usados como garantia em operações de crédito. Na prática, esses números funcionam como um importante indicador da atividade do mercado automotivo e do nível de confiança do consumidor.
