Renault Kwid a Combustão vs Renault Kwid Elétrico: quanto custa manter cada em de 5 anos? Comparativo!

A popularização dos carros elétricos no Brasil deixou de ser apenas um debate tecnológico ou ambiental e passou a ser, definitivamente, uma discussão econômica. O que antes parecia distante da realidade do consumidor médio começa a ganhar contornos mais concretos à medida que os preços caem e a infraestrutura avança, para entender essas mudanças que avançam cada vez mais em nosso país, o Auto ND1 trás um comparativo que toca nessa notável revolução automotiva. 

Dentro desse cenário até mais favorável ao novo EV, o Renault Kwid Elétrico surge como um divisor de águas ao ser negociado atualmente na casa dos R$ 99 mil, tornando-se não apenas o elétrico mais barato do país, mas também um concorrente direto de hatches a combustão populares e a partir de agora uma dor de cabeça direta a gigante chinesa BYD.

A questão que se impõe não é mais se o carro elétrico é viável no Brasil, mas se ele faz sentido financeiramente quando comparado a um modelo equivalente a combustão, considerando não apenas o preço de compra, mas todo o custo de uso ao longo do tempo. Para responder a isso, é preciso ir além do discurso promocional e analisar números reais, dentro de um cenário de uso comum ao motorista brasileiro.

Este artigo compara, de forma aprofundada, os custos reais do Renault Kwid a combustão e do Renault Kwid Elétrico ao longo de cinco anos, levando em conta combustível ou energia, manutenção, impostos, seguro e despesas recorrentes, sempre dentro de uma lógica prática e realista.

O novo ponto de partida: o preço de compra mudou o jogo

Durante muito tempo, o principal argumento contra os carros elétricos no Brasil era o preço inicial elevado. Esse fator isolado tornava qualquer comparação injusta, já que a economia no uso dificilmente compensava a diferença de valor de compra. Esse cenário mudou de forma significativa com o reposicionamento do Renault Kwid Elétrico.

Atualmente negociado por cerca de R$ 99.990, o Kwid E-Tech passou a ocupar uma faixa de preço inédita para um veículo elétrico no país. Isso o coloca abaixo de modelos como o BYD Dolphin Mini e, em alguns casos, próximo de versões intermediárias de hatches a combustão. O Kwid a combustão, por sua vez, segue como uma das opções mais baratas do mercado nacional, com preços que variam conforme versão, região e promoções, mas que ainda ficam sensivelmente abaixo do elétrico.

Mesmo assim, a diferença entre os dois deixou de ser abissal. O investimento inicial mais alto do elétrico já não é um impeditivo absoluto, e isso muda completamente a lógica da análise de custo total de propriedade.

Consumo diário: gasolina e etanol contra eletricidade

O uso cotidiano é onde a diferença entre as duas tecnologias começa a se evidenciar com mais força. No Kwid a combustão, o custo de rodagem está diretamente ligado ao preço dos combustíveis, que no Brasil seguem sujeitos a variações constantes. Mesmo com bom consumo, o gasto por quilômetro rodado é significativamente mais alto do que no elétrico.

Em condições reais de uso urbano, o Kwid a combustão costuma apresentar médias próximas de 13 a 15 km por litro na gasolina. Considerando um preço médio de combustível em torno de R$ 6,00 por litro, o custo por quilômetro rodado gira em torno de R$ 0,40 a R$ 0,45, podendo ser maior em trajetos congestionados ou com uso intenso de ar-condicionado.

No Kwid Elétrico, a lógica é outra. O consumo médio fica em torno de 15 kWh a cada 100 quilômetros, valor compatível com a proposta urbana do modelo. Considerando uma tarifa residencial média de energia elétrica, o custo por quilômetro rodado pode ficar próximo de R$ 0,06 a R$ 0,08. Essa diferença se amplia ainda mais para quem recarrega em casa durante a madrugada ou possui sistema de energia solar.

Ao longo de cinco anos, essa discrepância se transforma em um dos principais fatores de economia do elétrico. Para um motorista que percorre cerca de 20 mil quilômetros por ano, totalizando 100 mil quilômetros no período, o gasto com combustível no Kwid a combustão pode facilmente ultrapassar os R$ 40 mil. No elétrico, o custo com energia dificilmente passa de R$ 7 mil no mesmo intervalo.

Manutenção: dois mundos completamente diferentes

A manutenção é outro ponto em que a comparação revela diferenças estruturais entre os dois modelos. O Kwid a combustão exige revisões periódicas tradicionais, com trocas de óleo, filtros, velas, fluidos e verificações mecânicas constantes. Mesmo sendo um carro simples, esses custos se acumulam ao longo dos anos.

Em cinco anos de uso, considerando revisões em concessionária ou oficinas independentes, além de manutenções preventivas e eventuais substituições de peças de desgaste, o custo total pode facilmente chegar à casa dos R$ 10 mil a R$ 15 mil, dependendo do perfil de uso e da região.

O Kwid Elétrico, por outro lado, elimina uma série de componentes que tradicionalmente geram manutenção e custo. Não há troca de óleo, não existem velas, correias dentadas ou sistema de escapamento. As revisões se concentram em inspeções, atualizações de software, checagem de freios, suspensão e sistema elétrico.

Na prática, o custo de manutenção do Kwid Elétrico ao longo de cinco anos tende a ficar entre R$ 5 mil e R$ 8 mil, mesmo considerando mão de obra especializada. Essa economia não é apenas financeira, mas também operacional, com menos tempo parado em oficinas e menor risco de falhas mecânicas tradicionais.

Impostos e benefícios fiscais

Outro fator que pesa no custo total de propriedade é o IPVA. Em diversos estados brasileiros, veículos elétricos contam com isenção total ou descontos significativos nesse imposto. Isso representa uma economia anual relevante, que se acumula ao longo dos anos.

Enquanto o Kwid a combustão paga IPVA integralmente, o Kwid Elétrico pode se beneficiar dessas políticas, reduzindo o impacto tributário no orçamento do proprietário. Em cinco anos, essa diferença pode representar alguns milhares de reais a favor do elétrico, dependendo do estado de registro do veículo.

Além do IPVA, há ainda benefícios indiretos em algumas cidades, como isenção de rodízio, vagas exclusivas ou incentivos municipais, que não entram diretamente na conta financeira, mas influenciam a experiência de uso.

Seguro e riscos percebidos

O seguro é um dos poucos pontos em que o Kwid Elétrico pode perder vantagem. Ainda existe no mercado uma percepção de maior risco e custo envolvendo veículos elétricos, principalmente por conta da bateria e da menor oferta de peças no mercado independente.

Como resultado, o seguro do elétrico tende a ser ligeiramente mais caro do que o do modelo a combustão. Essa diferença, no entanto, não costuma ser suficiente para anular a economia obtida com energia e manutenção, mas precisa ser considerada na conta final.

O custo total de propriedade em números reais

Colocando tudo isso em perspectiva, é possível traçar um cenário comparativo realista para cinco anos de uso e 100 mil quilômetros rodados.

No Kwid a combustão, somando preço de compra, combustível, manutenção, IPVA e seguro, o custo total pode chegar facilmente à faixa dos R$ 150 mil a R$ 155 mil ao final do período.

No Kwid Elétrico, considerando o preço atual na casa dos R$ 99 mil, somando energia elétrica, manutenção reduzida, seguro um pouco mais alto e possíveis benefícios fiscais, o custo total tende a ficar muito próximo de R$ 135 a R$ 140 mil mil, podendo inclusive ser inferior em cenários favoráveis de uso urbano e incentivos regionais.

Essa é a grande virada do Kwid Elétrico: ele deixa de ser apenas uma opção ambientalmente correta e passa a ser uma alternativa financeiramente competitiva dentro de um horizonte de médio prazo.

Quando o Kwid Elétrico faz mais sentido

O Kwid Elétrico se mostra especialmente vantajoso para quem utiliza o carro majoritariamente na cidade, percorre distâncias previsíveis e tem acesso fácil à recarga residencial. Nesses casos, a economia com energia e manutenção aparece rapidamente e tende a compensar qualquer diferença inicial.

Já o Kwid a combustão segue sendo uma escolha racional para quem roda pouco, mora em regiões com infraestrutura elétrica limitada ou não pretende permanecer muitos anos com o mesmo veículo.

Discussão sobre ter um EV passa a ser prática

A comparação entre o Renault Kwid a combustão e o Renault Kwid Elétrico mudou radicalmente nos últimos anos. Com o elétrico agora negociado na casa dos R$ 99 mil, a discussão deixa de ser teórica e passa a ser prática. Em um cenário realista de cinco anos, o Kwid Elétrico se mostra capaz de competir de igual para igual em custo total de propriedade, oferecendo ainda vantagens claras em manutenção, previsibilidade de gastos e eficiência urbana.

Mais do que uma escolha entre tecnologias, a decisão passa a ser uma análise de perfil de uso. Pela primeira vez no Brasil, um carro elétrico popular realmente entra na mesma conversa que um hatch a combustão tradicional quando o assunto é dinheiro no bolso.

Fechando o comparativo do Auto ND1

É importante destacar que esse comparativo foi feito com projeções de 5 anos, valendo-se de pesquisas sobre peças, mão de obra e impostos em território brasileiro em janeiro de 2026, quando a pesquisa foi fechado com o auxílio dos colegas de redação do Auto ND1: Elaise Ormond e Rayan Araújo no qual agradeço profundamente a colaboração. 

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