A Renault estuda ampliar sua linha de carros elétricos no Brasil e considera a possibilidade de trazer modelos como Renault 4, Renault 5 e o novo Twingo. A indicação foi feita pelo CEO da montadora no país, Ariel Montenegro, em entrevista exclusiva ao podcast do Motor1.com Brasil.
A avaliação ocorre no momento em que a marca vive uma fase de renovação estratégica. Recém-chegada, a parceria com a chinesa Geely — que adquiriu 26% da operação nacional — terá papel central nessa nova etapa. A marca asiática passará a produzir veículos no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR), compartilhando estrutura industrial com a Renault, mas mantendo operações independentes, em um modelo similar ao da Stellantis.
Montenegro afirma que as duas empresas podem se complementar no portfólio brasileiro, ocupando espaços distintos dentro do mercado. Um exemplo disso é o lançamento do Geely EX2, hatch elétrico que chega por R$ 119.990 a R$ 135.100 e se posiciona acima do Renault Kwid E-Tech, que segue custando R$ 99.990 e passa a oferecer sistemas ADAS de série.
Renault 4, 5 e Twingo estão na mesa, mas decisão exige cautela
Questionado sobre a possibilidade de os novos elétricos europeus integrarem a gama nacional, Montenegro explicou que a discussão ainda está em andamento. Segundo ele, embora o portfólio global seja extenso, trazer muitos modelos importados não é sustentável a longo prazo.
“O Renault 5 é um superproduto. O Renault 4 é finalista do Carro do Ano europeu. Mas precisamos fazer escolhas responsáveis. Não dá para replicar aqui tudo o que temos na Europa, Coreia ou Turquia”, afirmou.
O executivo destacou que, além do apelo de design e tecnologia, decisões desse tipo envolvem responsabilidade com manutenção, logística e disponibilidade de peças. Ele lembrou que a Renault garante dez anos de reposição após o fim do ciclo de vida do veículo, o que exige planejamento cuidadoso.
Portfólio do Brasil será guiado por emoção, racionalidade e estratégia de valor
Montenegro reconhece que a escolha dos modelos envolve um componente emocional — já que carros despertam forte conexão com o público — mas reforça que a racionalidade pesa na análise de viabilidade. O mercado brasileiro, segundo ele, é “uma piscina de tubarões”, exigindo decisões cirúrgicas sobre competitividade e posicionamento.
A nova estratégia da marca busca se afastar do perfil mais básico de Sandero e Logan, reposicionando a Renault no campo de produtos mais refinados e conectados. A aposta inclui modelos como o Megane E-Tech e uma linha de veículos que valorizem design, segurança e experiência tecnológica.
Nesse contexto, a marca também trabalha para evitar sobreposição entre seus elétricos e os da Geely, garantindo que cada produto ocupe um espaço claro dentro da rede.
2026 será ano de virada para a Renault no Brasil
De acordo com Montenegro, as grandes mudanças ficarão mais evidentes a partir de 2026. “O Kardian abriu o jogo, o Boreal confirma e prepara terreno para os próximos lançamentos. No Salão de São Paulo, o público vai conhecer um pouco mais dessa nova Renault”, disse.
A montadora também desenvolve sistemas de eletrificação adaptados ao Brasil, incluindo motores híbridos flex, alinhados às demandas regionais. Na Europa, mais de 50% das vendas da marca já são híbridas e 20% totalmente elétricas, número que a Renault pretende se aproximar no mercado brasileiro nos próximos anos.
“Temos um portfólio sustentável e que desperta desejo. Queremos o mesmo no Brasil, com uma renovação que vai se acelerar em 2026”, concluiu o CEO.
